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Cúpula do Clima: Bolsonaro mente sobre recursos e minimiza desmatamento

do UOL

Juliana Arreguy e Beatriz Montesanti

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em São Paulo

22/04/2021 12h02Atualizada em 22/04/2021 22h00

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mentiu sobre aumentar recursos para fiscalização ambiental durante fala na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, na manhã de hoje. Ele também apresentou dados descontextualizados sobre a Amazônia e omitiu taxas de desmatamento na região durante o seu governo.

Bolsonaro declarou que pretende cumprir com o que já foi combinado no Acordo de Paris, embora tenha suprimido a informação de que, durante a campanha presidencial de 2018, assinalou que deixaria o tratado internacional caso fosse eleito. À época, a declaração seguiu na esteira da decisão do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de deixar o acordo.

No ano passado, Bolsonaro ficou de fora de outro encontro de líderes para debater mudanças climáticas após a ONU (Organização das Nações Unidas) rejeitar o plano nacional de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Abaixo, o UOL Confere avaliou algumas das afirmações do presidente. O discurso pode ser lido na íntegra aqui.

Falso: Bolsonaro não duplica recursos para fiscalização

Apesar das limitações orçamentárias do governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização.

Divulgado na semana passada, um ofício do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade) aponta que o órgão, ligado ao Ministério do Meio Ambiente e responsável por unidades de conservação federais, enfrenta severas restrições financeiras.

Segundo o documento, a partir de maio as brigadas de incêndio devem ser fechadas e a medida pode prejudicar os trabalhos de prevenção e combate a incêndios florestais.

No Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), Salles reduziu o poder de multa de fiscais do órgão, o que levou funcionários a denunciarem a paralisação total de autuações por crimes ambientais.

Ele também exonerou as chefias regionais de quatro estados (AM, BA, PB e TO) e nomeou uma advogada com experiência em anular infrações ambientais para a Superintendência do Acre.

O ano passado registrou a menor quantidade de multas por desmatamento ilegal na história.

Verdadeiro, mas falta contexto: Emissões de carbono caíram

O Brasil participou com menos de 1% das emissões históricas de gases de efeito estufa mesmo sendo uma das maiores economias do mundo. No presente, respondemos por menos de 3% das emissões globais anuais.

Segundo o Our World in Data, painel de dados da Universidade Oxford, muitos dos grandes emissores mundiais de gases do efeito estufa hoje, como Índia e Brasil, não são grandes contribuintes em um contexto global, devido ao atraso da industrialização nesses países.

No caso, o Brasil é responsável por 0,92% das emissões globais na série histórica, que vai de 1751 até 2019 —embora só haja dados disponíveis do país a partir de 1901.

A curva de emissão no país começou a subir por volta da década de 1950 e hoje os números são preocupantes. Ainda de acordo com o painel, o Brasil foi responsável por 1,28% das emissões em 2019, o que corresponde a 465 milhões de toneladas de CO² emitidas.

Segundo um relatório divulgado em novembro do ano passado pelo Observatório do Clima, o Brasil foi o quinto maior emissor de gases do efeito estufa em 2019. Ao todo, o país emitiu 2,17 bilhões de tCO²e (toneladas de CO² equivalente) no primeiro ano do governo Bolsonaro.

Verdadeiro, mas falta contexto: Brasil conserva 84% do bioma amazônico

Temos orgulho de conservar 84% de nosso bioma amazônico e 12% da água doce da terra. Como resultado, somente nos últimos 15 anos evitamos a emissão de mais de 7,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera.

Embora a cobertura original da floresta amazônica seja de 83%, apenas um ponto percentual abaixo do declarado por Bolsonaro, 42% do desmatamento ocorreu só nos últimos 20 anos, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

De acordo com o instituto, o desmatamento na Amazônia aumentou 9,5% no Brasil no último ano, atingindo o pior nível anual desde 2008 na região.

Nos últimos 15 anos, de fato, o Brasil deixou de emitir mais de 8,3 bilhões de gases de efeito estufa, de acordo com dados do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), mantido pelo Observatório do Clima.

No entanto, entre 2018 e 2019 houve aumento de 9,6% nas emissões de gás carbônico no país. Levantamentos apontam que o crescimento se deve, justamente, à devastação na Amazônia.

Em maio do ano passado, estimativa do Seeg já apontava que o maior índice de desmatamento colaborava com o aumento de emissões de carbono, mesmo que diante da pandemia de covid-19 houvesse queda em todo o mundo em função do isolamento social.

Verdadeiro: Brasil tem uma das matrizes energéticas menos poluentes

Contamos com uma das matrizes energéticas mais limpas, com renovados investimentos em energia solar, eólica, hidráulica e biomassa [...] Somos pioneiros na difusão de biocombustíveis renováveis, como o etanol, fundamentais para a despoluição de nossos centros urbanos.

O Brasil é o país que apresenta a matriz energética menos poluente entre os grandes consumidores globais de energia, sendo a nação com maior participação de fontes renováveis, mostra o Relatório sobre Mercado de Energias Renováveis, da Agência Internacional de Energia (AIE).

As fontes de energia renovável representam 43% da matriz nacional, segundo o Centro de Estudos de Energia da Fundação Getúlio Vargas. Enquanto o mundo tem, em média, 15%. Considerando apenas a matriz elétrica, a proporção é ainda maior: mais de 80% da energia elétrica do país vem de fontes renováveis, em particular hidrelétricas, enquanto a média global é de 26%.

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