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15 dias

Procurador no julgamento de George Floyd diz sua morte foi assassinato

19/04/2021 18h13

Minneapolis, Estados Unidos, 19 Abr 2021 (AFP) - O procurador no julgamento sobre a morte do afro-americano George Floyd pediu nesta segunda-feira (19) aos membros do júri que condenassem o ex-policial branco acusado de assassinato, observando que a prisão do homem negro, registrada em vídeo, foi um "chocante abuso de autoridade".

Derek Chauvin é acusado de ter matado Floyd em 25 de maio de 2020 ao prendê-lo em Minneapolis, no norte dos Estados Unidos, o que gerou protestos contra a injustiça racial e a brutalidade policial em todo o mundo.

"Este caso é exatamente o que eles pensaram quando viram o vídeo pela primeira vez", afirmou o procurador Steve Schleicher nos argumentos finais do julgamento de Chauvin.

"Usem o bom senso", disse o procurador ao júri. "O que viram, eles viram".

"Podem acreditar no que viram", insistiu Schleicher. "É exatamente o que sabiam, é o que sentiram nas entranhas, é o que agora sabem no fundo do coração".

Chauvin foi filmado ajoelhado sob o pescoço de Floyd, que ficou imobilizado com o rosto para baixo e algemado ao chão por mais de nove minutos, suplicando: "Não consigo respirar".

"Não se tratou de vigilância policial, mas de assassinato", observou Schleicher. "Nove minutos e 29 segundos de chocante abuso de autoridade".

"O réu é culpado de todas as três acusações. E não há desculpa", ressaltou.

Chauvin, um veterano de 19 anos do Departamento de Polícia de Minneapolis, pode pegar um máximo 40 anos de prisão se for condenado pela acusação mais grave: homicídio em segundo grau.

Além disso, o policial enfrenta acusações de homicídio em terceiro grau e homicídio culposo.

Segundo o procurador, Floyd "pediu ajuda com seu último suspiro", mas Chauvin não o atendeu.

"Ele não seguiu o treinamento, não seguiu as regras de uso da força do departamento, não fez ressuscitação cardiopulmonar", argumentou.

"George Floyd não era uma ameaça para ninguém", disse Schleicher. "Ele não estava tentando machucar ninguém".

O advogado do ex-policial, Eric Nelson, pediu a absolvição de seu cliente, alegando que a acusação não tinha conseguido apresentar provas irrefutáveis sobre sua culpa na morte de Floyd.

- Casa Branca atenta -O julgamento de Chauvin coincidiu com o aumento da tensão devido a duas outras mortes de pessoas negras por policiais brancos, que tiveram uma grande repercussão.

Daunte Wright, um jovem negro de 20 anos, foi morto em um subúrbio de Minneapolis em 11 de abril nas mãos de uma policial branca que aparentemente confundiu sua pistola com seu taser; e um menino de 13 anos foi morto pela polícia em Chicago.

A morte de Wright gerou várias noites de protestos em Minneapolis e, antes do veredicto no caso Chauvin, tropas da Guarda Nacional foram enviadas para esta cidade, onde muitas vitrines e prédios foram tapados por precaução.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, foi questionada sobre o nível de preparação do governo federal antes do veredicto.

"Estamos em contato com as autoridades locais, com os estados, com os governadores, com os prefeitos", afirmou.

"Continuaremos a incentivar protestos pacíficos, mas não vamos nos antecipar ao veredicto", acrescentou.

Antes dos argumentos finais, Ben Crump, advogado das famílias Floyd e Wright, disse que esperava que Chauvin "fosse considerado responsável criminalmente pela morte de George Floyd".

"Matar pessoas negras desarmadas é inaceitável", defendeu Crump à ABC News no domingo. "Temos que enviar essa mensagem para a polícia. Fazer com que os agentes sejam responsabilizados".

Entre as 38 testemunhas de acusação, havia transeuntes que testemunharam a prisão de Floyd por supostamente usar uma nota de US$ 20 falsificada para comprar um maço de cigarros.

Darnella Frazier, a adolescente que filmou o vídeo que se tornou viral, afirmou que Floyd estava "assustado" e "implorando por sua vida".

"Ele não estava bem. Ele estava com dor", disse Frazier.

Genevieve Hansen, de 27 anos, bombeiro fora de serviço, relatou que Chauvin e outros oficiais presentes recusaram sua oferta de oferecer cuidados médicos a Floyd.

Donald Williams, de 33 anos, testemunhou que ligou para o 911 para relatar um "assassinato" depois que Floyd foi levado em uma ambulância.

- Uso razoável ou excessivo da força? -Chauvin compareceu ao julgamento todos os dias de terno e fazia anotações em um bloco amarelo. Ele falou apenas uma vez e sem a presença dos jurados. Invocou seu direito de não testemunhar em sua própria defesa.

Grande parte da fase de evidências do julgamento girou em torno de se o ex-policial havia feito um uso razoável ou excessivo da força.

Um médico forense aposentado chamado a depor pela defesa indicou que Floyd morreu de parada cardíaca causada por uma doença cardíaca e pelas drogas ilegais fentanil e metanfetamina encontradas em seu corpo.

Já os especialistas médicos chamados pela acusação disseram que Floyd morreu de hipóxia, ou falta de oxigênio, causada pela pressão do joelho de Chauvin em seu pescoço, e que as drogas não foram um fator decisivo.

A defesa também chamou um policial aposentado que afirmou que o uso da força de Chauvin contra Floyd era "justificado".

Por outro lado, segundo os agentes que testemunharam pela acusação, incluindo o chefe da polícia de Minneapolis, o uso da força foi excessivo e desnecessário.

Uma condenação por qualquer uma dessas acusações exigirá do júri um veredicto unânime.

O juiz Peter Cahill ordenou que os 12 jurados se reunissem a sós para deliberar.

Três outros ex-policiais envolvidos na prisão de Floyd, Tou Thao, Thomas Lane e J. Alexander Kueng, também enfrentam acusações e serão julgados separadamente até o fim do ano.

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