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EUA supera 3 milhões de casos de COVID-19, enquanto Trump inicia saída da OMS

08/07/2020 17h15

Washington, 8 Jul 2020 (AFP) - A pandemia do novo coronavírus não cede nos Estados Unidos, que superaram a barreira dos 3 milhões de casos nesta quarta-feira (8), um dia depois de o governo de Donald Trump anunciar o início do processo formal para tirar o país da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os Estados Unidos são o país mais afetado pela pandemia, com mais de 131.000 mortos, seguido do Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro, que anunciou na véspera ter sido infectado pela COVID-19, questiona desde o início as medidas para aplacar a pandemia.

No Brasil, o novo coronavírus já causou mais de 66.000 mortes e 1,6 milhão de contágios, mas apesar dos dados, tanto Trump quanto Bolsonaro continuam criticando as medidas de confinamento.

O fato de estar doente não mudou a atitude desafiadora de Bolsonaro frente ao vírus. "Com a graça de Deus, viverei ainda por muito tempo", tuitou nesta quarta o presidente, após voltar a defender o uso da polêmica hidroxicloroquina para tratar a doença.

Enquanto isso, a cidade australiana de Melbourne se preparava nesta quarta para voltar ao confinamento para tentar aplacar a curva de contágios em um momento em que são registrados cerca de 100 novos casos diários.

Na Europa surgem indícios de que voltar a impor medidas restritivas muito estritas será difícil, depois de a Sérvia ser palco de um protesto com milhares de pessoas criticando o toque de recolher e de a França descartar que no caso de uma segunda onda se volve a impor um "confinamento total".

Em todo o mundo, o vírus infectou quase 12 milhões de pessoas e deixou mais de 545.000 falecidos desde que foi detectado pela primeira vez na China no fim de 2019.

- Recorde de infecções -Nos Estados Unidos, o surto passou despercebido e no início de fevereiro eram contabilizados apenas um punhado de casos, mas em 28 de abril o país somava mais de um milhão de contágios e em 11 de junho eram dois milhões, segundo um balanço da AFP, com base em cifras oficiais.

Na terça-feira, os Estados Unidos voltaram a bater um novo e triste recorde de infecções: 60.000 em 24 horas.

O infectologista e especialista assessor da Casa Branca, Anthony Fauci, advertiu que o país ainda está "até o pescoço" imerso na crise, acabando de passar a primeira onda, mas Trump expressou na terça-feira seu desacordo e afirmou que os Estados Unidos estão em uma "boa posição".

No contexto da pandemia, o governo americano anunciou que vai revogar os vistos dos estudantes estrangeiros cujas escolas deem aulas exclusivamente de forma virtual no próximo trimestre. Mas a prestigiosa Universidade de Harvard e o MIT interpuseram nesta quarta-feira um recurso judicial para bloquear a revogação.

A crise sanitária que não cede não impediu que Washington iniciasse seu processo de retirada formal da OMS, tal como havia anunciado Trump, que critica a instituição por, segundo ele, ser próxima da China.

Os Estados Unidos são o principal país doador da OMS e sua saída representa um duro golpe para o funcionamento da organização da ONU, que perderá 400 milhões de dólares anuais com sua retirada.

A saída americana será efetivada em um ano, em 6 de julho de 2021. Mas Joe Biden, adversário democrata de Trump nas presidenciais de novembro, assegurou que, se for eleito, manterá o país na OMS.

- Sem máscara -Especialistas criticam Estados Unidos e Brasil pela propagação do vírus, ao não incentivar medidas como um distanciamento social rigoroso.

Até mesmo ao anunciar que estava contagiado, Bolsonaro tirou a máscara para mostrar o rosto aos jornalistas.

Este gesto levou a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) a denunciar a atitude do mandatário que, sabendo que está doente, não respeitou as normas de segurança, pondo em risco a vida dos jornalistas.

Bolsonaro tem participado de vários eventos públicos sem máscara e criticado as medidas de distanciamento social impostas em vários estados devido a seu impacto econômico.

- Guerrilha pede trégua na Colômbia -O novo coronavírus castiga duramente a América Latina e o Caribe, que superou na terça-feira os três milhões de infecções e as 132.000 mortes.

Na Colômbia, a guerrilha do ELN, a última reconhecida no país, propôs ao governo do presidente Iván Duque um cessar-fogo bilateral por três meses diante da magnitude da emergência sanitária.

Enquanto isso, na Bolívia, sede detentos da superlotada prisão da cidade de La Paz morreram esta semana supostamente por causa do novo coronavírus, segundo as autoridades.

E no Chile foram superados os 300.000 contágios na terça-feira, mas também se confirmou uma tendência à baixa que levou as autoridades a planejar um cauteloso desconfinamento.

Em várias partes do mundo, a flexibilização das restrições trouxe consigo recidivas. Regiões de Chile, Estados Unidos, Espanha e Austrália são alguns exemplos.

E as consequências, previsíveis ou completamente inesperadas, desta pandemia não param.

Na África do Sul, onde a maioria das escolas está fechada por causa do coronavírus, dezenas de milhares de crianças podem começar a passar fome, já que a única refeição completa e quente do dia era a que recebiam nos colégios.

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