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Pedidos de seguro-desemprego batem novo recorde nos EUA

02/04/2020 13h19

Washington, 2 Abr 2020 (AFP) - Os pedidos semanais de seguro-desemprego nos Estados Unidos registraram um novo recorde na semana passada, com 6,6 milhões de novas solicitações - informou o Departamento do Trabalho nesta quinta-feira (2).

Estes dados sobre a semana encerrada em 28 de março representam o dobro do mesmo período anterior, que registrou 3,3 milhões de novas solicitações de seguro-desemprego, o que já era um recorde histórico.

Com mais de 5.000 mortes e com mais de 200.000 casos confirmados, os Estados Unidos se tornaram, na semana passada, o país com maior número de contágios registrados. Em meio à crise, cidades vibrantes se tornaram lugares fantasmas com empresas fechadas e ruas vazias.

Nesse contexto em que as autoridades tentam impedir o avanço da epidemia - que no mundo deixou mais de 940.000 infectados e mais de 47.000 mortos -, as únicas empresas abertas são comércios de alimentos e hospitais.

Primeiros números a serem divulgados desde que as medidas de restrições e confinamento se tornaram mais gerais e severas no país, eles revelam a magnitude da crise atual e um crescente dano à economia americana.

"Quase cada estado (que informou seus números de pedidos de seguro-desemprego) incluiu comentários que citavam a COVID-19", indicou o relatório, que mostra impactos mais acentuados em setores como hotelaria, mas também na atividade industrial e no comércio varejista.

Na quarta-feira, o indicador ADP, que mede as folhas de pagamento no setor privado, mostrou a perda de 27.000 empregos. Como se trata de uma pesquisa mensal, isso significa que os dados não refletem a rápida mudança de cenário.

Esse marcador mostrou, no entanto, uma indicação preocupante de que as pequenas empresas perderam empregos a uma taxa nunca vista desde a pior parte da crise financeira global no início de 2009.

- Sem palavrasSegundo analistas, os dados de abril podem ser desastrosos e mostrar números inimagináveis, na faixa dos milhões. A expectativa de alguns economistas é que esta possa ser a pior erosão de emprego nos EUA desde a Segunda Guerra Mundial.

"Não tenho palavras", afirmou, após saber dos números, o analista Ian Shepherdson, da consultoria Pantheon Macroeconomics.

"Esperávamos que os números de hoje fossem o pico, mas não podemos ter certeza", disse ele, em uma análise, na qual projetou que as estimativas de demissões entre março e abril podem afetar de 16 milhões a 20 milhões de trabalhadores.

Em busca da reeleição, o governo de Donald Trump - que há meses vinha celebrando o baixo índice de desemprego em sua gestão - aprovou na semana passada um megapacote de resgate econômico de US$ 2 trilhões.

Esta iniciativa é a maior intervenção econômica federal da história dos Estados Unidos e inclui uma importante expansão dos benefícios por desemprego para amortizar o golpe para milhões de trabalhadores.

Os números do desemprego de março serão divulgados nesta sexta-feira (3), mas esses dados não refletem a magnitude da crise, devido à forma como essas estatísticas são compiladas.

hs-an/gma/mr/tt

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