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Moradores de vilarejos na Índia cansam de regras contra Covid, enquanto casos crescem no campo

12/08/2020 11h06

Por Krishna N. Das e Sudarshan Varadhan

BAIHATA CHARIALI/KARALAPAKKAM, Índia (Reuters) - Harmahan Deka não usa mais máscara contra o novo coronavírus ou tenta manter uma distância segura das outras pessoas.

Para os 25 homens e mulheres com os quais trabalha em seu negócio de material de construção próximo à pequena cidade de Baihata Chariali, no Estado de Assam, na Índia, a vida é mais ou menos a mesma, diz Deka.

“O vírus não pode me atacar, está enfraquecido”, afirmou o diabético de 50 anos. “Eu costumo ir a uma mercearia movimentada do bairro, sem máscara, sem nada. Tanto eu quanto o dono da loja estamos bem. Talvez já tenhamos pegado, sem sintomas.”

Em duas dúzias de cidades pequenas e vilarejos visitados por repórteres da Reuters nas últimas semanas, as pessoas, em grande parte, desistiram do distanciamento social e das máscaras após meses de adesão às regras, acreditando que o vírus não é mais uma ameaça séria.

A mudança de comportamento na Índia rural --onde vivem dois terços da população de 1,3 bilhão, muitas vezes com apenas as mais básicas unidades de saúde-- acontece no momento em que as infecções no campo crescem.

Os especialistas em saúde estão exasperados.

“Às vezes, as pessoas não levam a sério, como se nada fosse acontecer com elas somente porque estão respirando ar puro e comendo vegetais”, disse Rajni Kant, membro da equipe de resposta rápida que o Conselho Indiano de Pesquisas Médicas (ICMR, sigla em inglês), administrado pelo Estado, montou para enfrentar a pandemia.

“A infraestrutura de saúde é fraca nas áreas rurais, por isso eles têm que seguir rigidamente as regras de distanciamento social, usar máscaras, evitar aglomerações e lavar as mãos. Do contrário, vão sofrer.”

Mas, para muitos moradores dos vilarejos, parece que a ficha não caiu porque eles não viram o vírus matar ninguém que conheçam.

Deka in Assam, por exemplo, disse que não ouviu falar de nenhuma morte ou mesmo infecção. Ele afirma que isso o deixou confiante que algum tipo de imunidade de rebanho foi atingida.

Os números, porém, contam outra história.

Mais de 2,3 milhões de pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus na Índia, terceiro maior total do mundo após Estados Unidos e Brasil, e mais de 46.000 morreram.

Além do impacto na saúde pública, a disseminação do vírus no campo pode frustrar a expectativa do que o banco central projeta como uma recuperação “robusta” da economia rural, graças às boas chuvas para as safras de verão.

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