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Como pandemia atingiu valets e mudará hábito de deixar carro com manobrista

Edson Silva/Folhapress
Imagem: Edson Silva/Folhapress
do UOL

Daniel Leite

Colaboração para o UOL

26/05/2020 04h00

Se você passou a se preocupar ainda mais com a higienização do seu veículo por causa do novo coronavírus, deve estar se perguntando como fará para deixá-lo com os manobristas quando o comércio reabrir e os eventos forem retomados. Afinal, as empresas de valet operam milhares de carros todos os dias e não há como garantir a total desinfecção de cada um.

A associação que representa esse serviço na cidade de São Paulo estima que o setor emprega cerca de seis mil pessoas diretamente em aproximadamente 400 empresas. A intenção da Aevesp é tornar mais rígidas as normas de limpeza, mas, ao mesmo tempo, pedir colaboração da população.

A Via Valet opera aproximadamente 40 mil veículos por mês e disse à reportagem que entrou no programa governamental para suspensão temporária do contrato de trabalho com a intenção de não demitir.

A empresa tem cerca de 50 funcionários fixos, podendo chegar a 200 trabalhadores com as contratações temporárias para os fins de semana, quando é maior a quantidade de eventos. Atualmente, apenas 15 estão atuando. O restante da equipe teve os contratos de trabalho suspensos.

"A gente está fazendo o possível e o impossível para manter o quadro. E como toda empresa, estou tentando fazer financiamento pela Caixa para ver se criamos uma reserva para tentar pelo menos ajudar um pouco mais os nossos colaboradores até que a coisa comece a engrenar", disse José Carlos Pereira Gomes, diretor da Via Valet.

Com quase todos os serviços paralisados desde março, atendendo atualmente laboratórios, clínicas e alguns comércios essenciais, a firma promete oferecer higienização ainda maior no serviço. "Dentro da maior segurança possível, para o usuário e funcionário, com utilização de máscara, álcool gel e fazer exames periódicos em nossos funcionários".

A Aevesp estima paralisação de 90% a 95% do total de operadoras de valets na capital em decorrência da pandemia. As poucas que permanecem em serviços que não pararam estão reforçando a higienização e os manobristas passaram a utilizar luvas, mas somente as mais estruturadas, afirma o advogado da associação, Syrius Lotti Júnior.

Segundo ele, quando a reabertura ocorrer, tanto as empresas quanto os clientes terão que mudar os hábitos, já que não há como prometer desinfecção de todos os veículos.

"Num fluxo em eventos em um determinado período de muitos carros. Um casamento, por exemplo, que você não recebe ao longo do tempo os veículos, e também em restaurantes. Vai ter que orientar o motorista para fazer isso (desinfecção do veículo). Mas seria irresponsável da parte da empresa de valet dizer que está 100% (desinfectado). Porque você não sabe, não está ali vendo se o manobrista tirou a luva e coçou o nariz, por exemplo", disse Júnior.

Ele acredita que a medida mais correta será as empresas entregarem o veículo de volta com um frasco de álcool gel como cortesia e um panfleto reforçando a necessidade de o dono do carro também limpar as partes onde vai tocar. De acordo com o representante das empresas de valet, o uso de luvas pelos manobristas também deverá ser adotado, mas não há obrigação quanto a isso. "Essas medidas não vão encarecer tanto para as empresas, mas o dono do carro também tem sua responsabilidade", frisa.

A MT Valet atua em eventos, que estão com todos os contratos suspensos, e também em mais de 20 firmas da Grande São Paulo onde não há espaço para os carros de todos os funcionários no pátio. Os manobristas têm a incumbência de encontrar vagas entre os veículos estacionados, a fim de que caiba o maior número possível.

Essas fábricas também paralisaram as atividades. Segundo Priscila Salermo, sócia-proprietária, quando as primeiras notícias do novo coronavírus no Brasil começaram a circular, os colaboradores passaram a trabalhar com máscara, óculos, luva e álcool gel. No momento, não há expectativa de adotar medidas diferentes dessas quando a pandemia acabar.

"A gente está estudando ainda uma possibilidade junto com as empresas, eles estão nos dando um feedback, mas a gente ainda não conseguiu chegar num consenso. Tem mil possibilidades, mas até agora nenhuma é a mais certa", comentou.

Salermo disse que precisou demitir alguns trabalhadores. Uma parte dos que ficaram está recebendo de acordo com o plano do governo de pagar metade do salário e a empresa acerta os outros 50%.

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