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Covid-19: Funcionários dizem que Einstein limita uso de máscara e luvas

Hospital restringe uso de máscaras a equipe que atende casos suspeitos de coronavírus - Divulgação
Hospital restringe uso de máscaras a equipe que atende casos suspeitos de coronavírus Imagem: Divulgação
do UOL

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

30/03/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Medida afeta funcionários que têm risco de contato com contaminados
  • Justificativa para medida é não causar sensação de pânico entre pacientes
  • Direção teria dito à equipe que há chances de todos serem contaminados

Parte dos funcionários da unidade Morumbi do Hospital Israelita Albert Einstein, na cidade de São Paulo, diz estar sendo impedida de usar máscaras e luvas e teme se contagiar com a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

"O hospital está minimizando qualquer [medida de] segurança para os funcionários, desde a recepção. Eles falam para algumas equipes não usarem máscaras, que é para não ter alarde, não ter histeria ou medo entre os pacientes", denuncia uma funcionária, que não quis se identificar por temer represálias.

O hospital diz que não há falta de equipamentos, mas afirma que o uso se limita aos profissionais que lidam com pacientes com suspeita de covid-19 e que a prática segue orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os profissionais, por outro lado, afirmam que muitos pacientes podem não ter sintoma e, dessa maneira, contaminar quem está trabalhando.

"Só para paciente com diagnóstico"

Ela afirma que a direção do hospital orienta uso de luvas, óculos e máscaras "só com os pacientes que têm o diagnóstico positivo".

Uma das equipes para quem o uso de máscaras teria sido vetado é a de diagnósticos por imagem, responsável por fazer exames de tomografia nos pacientes que chegam ao Pronto Atendimento.

"O hospital está lotado, e eles [coordenadores] já disseram que 100% dos funcionários serão infectados, que todos serão infectados", repete a funcionária. "Todo mundo está com medo porque, por um lado, deram esse parecer, e, por outro, não querem que o pessoal use proteção. Como vamos atender assim?"

"Só entre as pessoas que eu conheço, do meu turno, três funcionários do transporte já foram confirmados com covid-19", relata a funcionária, que teme o vírus por ter contato direto com idosos em casa. "É uma situação muito difícil. Não sei o que fazer", conta, com a voz embargada.

Questionado, o Hospital Albert Einstein nega as denúncias e diz estar bem abastecidos dos materiais. Afirma que "os equipamentos de proteção individual (EPIs) são disponibilizados de acordo com o tipo de atividade na assistência", de acordo com orientações "da Organização Mundial de saúde (OMS), do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA [CDC, na sigla em inglês] e do Ministério da Saúde".

Em um guia publicado no último dia 19, a entidade diz que é dever dos hospitais "providenciar equipamento e insumos em quantidade suficiente" não só para quem atende casos confirmados, mas "para quem atende pacientes tanto com suspeita quanto com confirmação de covid-19".

Limitar o uso de máscaras também desrespeita uma norma técnica publicada há uma semana pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que fala em uso obrigatório de máscara cirúrgica para todos os "profissionais que prestem assistência a menos de 1 metro do paciente suspeito ou confirmado" com covid-19.

Procurado novamente, o hospital afirmou que não há uso de máscaras em algumas poucas áreas do hospital, mas que todos os envolvidos no atendimento a casos suspeitos ou confirmados têm o material à disposição.

"O Einstein realiza o gerenciamento desses recursos, bem como de medicamentos e de toda a infraestrutura necessária para o combate à pandemia do novo coronavírus", diz a nota.

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