PUBLICIDADE
Topo

Em silêncio sobre Bolsonaro, Alcolumbre cogita antecipar volta a Brasília

05.11.2019 - Jair Bolsonaro, ministros e aliados entregam ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pacote de reformas econômicas - Agência Senado
05.11.2019 - Jair Bolsonaro, ministros e aliados entregam ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pacote de reformas econômicas Imagem: Agência Senado
do UOL

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

27/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Presidente do Congresso e do Senado está no Amapá, onde passou o Carnaval
  • Ele é o único presidente dos Três Poderes, fora Bolsonaro, a não ter comentado atitude
  • Se antecipar retorno, deve se dedicar a reuniões para tratar do tema
  • Relação fragilizada com Congresso pode prejudicar acordo para divisões do orçamento

Mais de 24 horas após as revelações de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) distribuiu vídeos no WhatsApp em apoio a manifestações que incluem pedidos para o fechamento do Congresso Nacional, o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ainda não se manifestou sobre o assunto.

Alcolumbre continua no Amapá, seu estado de origem, onde passou o Carnaval. Nos bastidores, ele tem observado a reação de colegas e o desenrolar do clima político. Ainda não se sabe se ele irá se pronunciar.

O presidente do Congresso e Senado avalia, no entanto, antecipar a volta para Brasília. A princípio, o retorno está previsto para domingo (1º), mas pode ser alterado para hoje ou amanhã, a depender do agravamento da crise institucional, apurou o UOL.

Ele é o único presidente dos Três Poderes, fora Bolsonaro, a não ter comentado a atitude. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, pediram respeito à Constituição e à manutenção da ordem democrática, sem citar Bolsonaro de forma direta.

Devido ao Carnaval e ao fato de o Congresso só voltar a trabalhar na segunda-feira (2), Brasília ainda está esvaziada de parlamentares. Até o momento, as discussões em torno do ato de Bolsonaro estão se dando nos meios virtuais e por telefone.

Uma reunião pensada pelo líder da oposição na Câmara, deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), com Alcolumbre, Maia e líderes partidários deve ficar para a semana que vem.

Mas há aliados do Planalto na capital federal, como o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO). Se retornar antes do previsto, Alcolumbre deverá se dedicar a reuniões para tratar do tema, inclusive sobre como a agora mais fragilizada relação com o Congresso pode azedar novas tentativas de acordo para divisões do orçamento deste ano.

Rodrigo Maia está na Espanha e deve chegar a Brasília na segunda à noite.

A próxima semana promete ser marcada por reuniões de bancadas tanto na Câmara quanto no Senado, onde o PT já fala em pedido de impeachment contra Bolsonaro.

Na avaliação de parlamentares de oposição e de centro, Bolsonaro pode ter cometido crime de responsabilidade ao apoiar os protestos convocados por bolsonaristas e ativistas conservadores. A pena para o crime pode ser de perda do mandato. Ou seja, impeachment.

A decisão deve ser tomada até o início da semana que vem, quando o PT terá se reunido com mais partidos de oposição para definir quais medidas adotarão.

A intenção do partido é reunir não apenas lideranças partidárias de esquerda, mas também de centro, com o objetivo de formar um grupo forte mais amplo, suprapartidário.

Notícias