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Autoridade da FDA alerta que coronavírus pode virar pandemia

Bailey Lipschultz

26/02/2020 15h08

(Bloomberg) -- O surto de coronavírus que começou na China e se espalhou pelo mundo pode se tornar uma pandemia, alertou uma autoridade da Food and Drug Administration, a agência que regula fármacos e alimentos nos Estados Unidos.

"Para todos os efeitos, acho correto dizer que estamos à beira da pandemia", disse em entrevista Peter Marks, chefe do Centro de Avaliação e Pesquisa em Biologia da FDA. "Isso definitivamente vai acontecer? Não, mas há uma preocupação significativa, já que da noite para o dia temos casos em seis continentes."

Embora os EUA até agora tenham registrado menos casos em comparação com os focos do vírus na China, reguladores dos EUA intensificam medidas para combater uma possível propagação do surto, disse Marks, antes de uma apresentação na SVB Leerink Global Healthcare Conference, em Nova York.

"Como você ouviu do CDC ontem, eles estão se preparando para o que pode acontecer", disse Marks. "Do nosso ponto de vista na FDA, nosso objetivo é manter as coisas o mais ordenadas possível e tentar manter quantidades adequadas de suprimentos na cadeia de fornecedores."

A FDA busca fornecedores e manufatura alternativos de itens como aparelhos médicos e medicamentos importantes, devido à paralisação na China, disse Marks. "Somos dependentes - para alguns de nossos produtos médicos em 90% ou mais - das importações", disse Marks, que destacou itens como seringas, máscaras e capas.

Um número crescente de casos fora da China aumentou os riscos para os EUA e colocou autoridades de saúde em alerta máximo sobre o potencial de uma pandemia global. Nesta quarta-feira, o governo confirmou o primeiro caso no Brasil, também o primeiro na América Latina. O número de infecções na Itália passa de 380.

Combate ao vírus

As preocupações com a propagação do coronavírus dominam as atualizações de resultados corporativos, apresentações e painéis no evento SVB Leerink. Cody Meissner, especialista em doenças infecciosas e professor de pediatria na Faculdade de Medicina da Universidade Tufts, disse durante painel que "provavelmente há mais casos nos EUA do que se imagina".

Várias empresas se apressam para desenvolver possíveis medicamentos e vacinas para combater o coronavírus. Marks concorda com a avaliação de uma autoridade da Organização Mundial da Saúde e destacou os avanços da Gilead Sciences em seu medicamento experimental remdesivir.

"Quando você tem um surto tão grande como o da China, pode estudar essas coisas em ensaios randomizados de forma razoavelmente eficaz", disse. "E podemos ter uma resposta em um futuro não muito distante sobre a existência de um agente antiviral que possa funcionar."

A Gilead disse na segunda-feira que espera resultados de dois testes na China em abril. Embora as ações da desenvolvedora de vacinas Moderna estejam em alta diante das expectativas em torno de seu medicamento, Marks alerta que "essa onda inicial terminará antes que haja uma vacina eficaz".

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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