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Ministro da Defesa diz que episódio envolvendo Cid Gomes é lamentável

Fernando Azevedo e Silva durante entrevista para a Globo News - Reprodução/Globo News
Fernando Azevedo e Silva durante entrevista para a Globo News Imagem: Reprodução/Globo News
do UOL

Do UOL, em São Paulo

20/02/2020 07h44

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse ontem, durante entrevista ao programa Central Globonews, que a crise que envolve protestos de policiais no Ceará é um "caso isolado" e classificou como "lamentável" o episódio com o senador Cid Gomes (PDT).

O senador foi baleado enquanto pilotava uma retroescavadeira e tentava furar o bloqueio de policiais que reivindicam aumento salarial em Sobral, interior do Estado.

"É lamentável isso. Uma unidade militar? um senador tentando derrubar o muro de uma unidade militar, e pior ainda, uma reação com tiros", disse.

"Isso é um caso localizado, no Estado ali, como já aconteceu em outras épocas em outro Estado. É localizado", completou.

Ontem à noite, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou o envio da Força Nacional de Segurança Pública para o Estado do Ceará. A decisão do ministro atendeu ao pedido feito pelo governador Camilo Santana (PT).

Na entrevista, Fernando Azevedo e Silva comentou sobre o envio da Força Nacional - embora ainda não tivesse tratado na resposta como definido - e disse que o Governo está pronto para o auxílio.

"O governo está agindo rápido com um possível auxílio", garantiu ele. "O ministro da Justiça já mandou imediatamente um reforço da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal para lá. E segundo informações recentes que eu tive, hoje a Força Nacional de Segurança Pública também está indo ao Estado. Então, estamos na pronta resposta de ajuda a esse Estado", disse.

Ele ainda opinou sobre qual seria a solução para resolver a situação em Sobral. "As coisas terão que ser resolvidas com calma, usando a negociação, o diálogo, a paciência, a política e procurar o entendimento entre as partes. Só que cada dia é um dia e temos que ver a evolução disso. Pode evoluir para mais, piorando a situação, ou não. Quem sabe os governantes locais chegam a um acordo, a uma solução política e técnica em relação a isso", disse.

Negociações salariais motivaram protestos

O Ceará vive uma crise de segurança pública em meio às negociações salariais entre policiais e bombeiros militares e o governo do estado.

No início de dezembro, um protesto foi organizado na Assembleia Legislativa do Ceará para pleitear aumentos salariais. O governo apresentou diversas propostas que foram rejeitadas pela classe.

No último dia 13, o secretário-chefe da Casa Civil, Helcio Batista, anunciou acordo com agentes de segurança após aprovação de salário-base de um soldado de R$ 4,5 mil, com aumento progressivo até 2022.

Na terça, essa proposta foi enviada para a Assembleia Legislativa do Ceará para debate e votação dos parlamentares.

Apesar do anúncio de acordo, grupos passaram a promover protestos em diversos pontos do estado. Na manhã de hoje, mulheres de policiais militares fecharam o 12º BPM (Batalhão de Polícia Militar), em Caucaia (CE), na região metropolitana de Fortaleza, e impediram a saída dos policiais que terminaram o plantão.

Além disso, comerciantes do centro do município de Sobral (CE) fecharam as portas das lojas na tarde de hoje depois que supostos grupos de policiais militares passaram ordenando que o expediente fosse encerrado.

O fato foi comunicado à Polícia Civil, que saiu às ruas para tranquilizar a população e as lojas voltaram a abrir as portas.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram moradores assustados com a situação. Em outro, um comboio da Polícia Militar aparece em uma rua com todas as lojas fechadas.

Fernando Azevedo e Silva fala sobre ataques à imprensa

Durante o programa, o general Fernando Azevedo e Silva respondeu também falou sobre outros temas. "A democracia está consolidada e as instituições estão funcionando normalmente" afirmou Azevedo e Silva logo no início após ser questionado se a democracia brasileira está correndo risco.

"Na minha posse eu falei que faz parte da democracia uma imprensa livre, como está [sendo]. Um dos pilares do discurso do presidente Jair Bolsonaro também era democracia, e ele está como presidente da República hoje porque foi eleito pelo voto. Então, não há risco algum [para a democracia]", completou.

O ministro ainda falou sobre os ataques à imprensa feitos pelo presidente Jair Bolsonaro."Democracia é isso. Tem o papel da imprensa e às vezes reconheço que parte da imprensa faz algumas afirmações que não condizem com o que o presidente atua, mas enfim, ele responde e isso faz parte. As coisas se assentam em relação a isso. Não vejo risco de ataque [à imprensa]".

Outro assunto do programa foram os conflitos e atritos internos que o governo está tendo que lidar. A declaração do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Augusto Heleno, que expôs sua insatisfação com os parlamentares, os chamando de "esses caras", foi usada de exemplo.

"A democracia é feita de debates. Às vezes um pouco mais exaltados, às vezes menos", argumentou o ministro da Defesa, se esquivando do assunto: "Vou me eximir um pouco de analisar os comentários dos nossos ministros e de comentários em relação ao presidente, que são colegas meus. Pelo menos o general Heleno soltou uma nota dizendo qual era a intenção dele".

Ainda sobre assunto, um dos apresentadores questionou se esses debates acalorados, que às vezes são classificados como retórica do ódio, não fragilizam as instituições, a presidência e o governo como um todo.

"Não vejo retórica do ódio. Vejo um novo modelo político que foi alcançado pelo voto. Um governo eleito com uma maneira diferente que está mudando um modelo do passado que não deu certo", disse o ministro. "Alguns não aceitam esse modelo, de que o presidente tenha ganhado a eleição. Enfim, é um debate acalorado que tem mudanças ai. São discussões, pesos e contrapesos que há na democracia".

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