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Óleo no Nordeste: O que se sabe até agora sobre a contaminação das praias

Tartaruga encontrada em Maragogi estava viva com a cabeça completamente coberta e o óleo obstruindo narina, olhos e boca - Instituto Biota/Divulgação
Tartaruga encontrada em Maragogi estava viva com a cabeça completamente coberta e o óleo obstruindo narina, olhos e boca Imagem: Instituto Biota/Divulgação
do UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

22/10/2019 17h06Atualizada em 04/11/2019 18h03

Desde o dia 30 de agosto, praias do Nordeste sofrem com o aparecimento de manchas de óleo no mar.

Veja a seguir as principais perguntas sobre o caso e o que já se sabe até agora:

Qual é a origem do óleo vazado?

A origem mais provável do vazamento, segundo investigação da Polícia Federal, é um navio petroleiro de bandeira grega, o Bouboulina. Ainda não se sabe como aconteceu esse derramamento, se foi acidental ou intencional. Em abril, a mesma embarcação foi detida nos EUA por conta de problema no equipamento de filtragem de óleo.

A Delta Tankers, dona do navio grego, contudo, nega que tenha havido vazamento e afirmou, no início de novembro, que ainda espera que o Brasil mostre evidências de que o óleo é deles.

Quando começou o vazamento?

Segundo a empresa Hex Tecnologias Geoespaciais, o vazamento do petroleiro grego ocorreu entre os dias 28 e 29 de julho, a 700 km a leste da divisa da Paraíba com o Rio Grande do Norte, em águas internacionais, no Atlântico. O derramamento gerou uma mancha de 200 quilômetros de extensão no oceano.

Quanto óleo vazou no mar?

A embarcação Bouboulina, suspeita de ter causado o vazamento, tem capacidade para cerca de 80 mil toneladas de óleo, e o derramamento flagrado pelas imagens de satélite deve ser em quantidade bem menor que a capacidade máxima.

Mas nem o Ministério da Defesa nem os especialistas envolvidos na análise do vazamento sabem precisar quanto exatamente vazou. Nem mesmo se houve alguma diminuição na contaminação.

Existe navio com capacidade de levar tanto óleo?

Sim, até muito mais. Até o momento, foram retiradas das praias mais de 4.000 toneladas. A Petrobras, por exemplo, tem petroleiro de transporte de óleo cru com capacidade de carregamento de 175 mil toneladas.

O que é o material vazado?

Segundo análise feita pela Petrobras, trata-se de uma mistura de óleos crus provenientes da Venezuela. A Venezuela afirma ter dúvidas sobre essa explicação, já que não foi acionada para investigar o caso. Uma análise feita pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) também apontou uma similaridade do óleo que chegou à costa baiana com petróleo venezuelano.

O óleo que chega à costa é o mesmo em todos os pontos?

Segundo perícia da Polícia Federal, 15 amostras coletadas em diferentes pontos de quatro estados nordestinos (Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia e Ceará) "possuem similaridade". Já a amostra coletada de um tambor depositado na Capitania dos Portos de Sergipe, "apresenta características divergentes das demais".

O pior já passou ou está por vir?

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ter afirmado, no dia 3 de novembro, que "o pior ainda está por vir", não é isso que especialistas afirmam. Segundo o Ibama, "não é possível prever com segurança as localidades que podem ser atingidas pelo óleo".

"As manchas se concentram em camada subsuperficial, o que impede a visualização por satélite, sobrevoo e monitoramento com sensores para detecção de óleo. Nesse contexto, o monitoramento realizado por agentes de campo em inspeções regulares nas praias e estuários é indispensável", informa.

O que está sendo investigado?

A investigação da origem das manchas de óleo está sendo conduzida pela Marinha, enquanto a investigação criminal é apurada pela PF. Segundo a Marinha, o caso é "muito complexo e inédito na história do Brasil". Na sexta-feira (1º.nov), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra as empresas ligadas à Delta Tankers, companhia dona do navio grego Boubolina.

Inicialmente, a Marinha trabalhou com quatro hipóteses para o vazamento: operação "ship to ship", que é a transferência de petróleo de um navio para outro no mar; naufrágio de navio petroleiro; derramamento acidental; derramamento intencional. A hipótese de limpeza de tanque, que chegou a ser levantada, foi descartada por conta da quantidade de petróleo já recolhida.

Que medidas já foram tomadas?

Desde o dia 2 de setembro, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) tomou uma série de ações com a Marinha, a ANP (Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis), a Petrobras e vários órgãos estaduais e municipais relacionados ao meio ambiente para minimizar os impactos do óleo.

Quais praias já foram atingidas?

Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), 321 praias já foram atingidas em 125 cidades do Nordeste.

Além de Morro de São Paulo (BA), praias paradisíacas como Jericoacoara (CE), Pipa (RN), Porto de Galinhas (PE) e Maragogi (AL) foram afetadas. Ao menos em 201 praias houve registro de contaminação.

O óleo pode avançar para outras praias e para o Sudeste, por exemplo?

Praias do sul da Bahia já foram atingidas, mas não há como prever se o óleo avançará para outras praias, pois ele é conduzido pelas correntes marítimas, as quais são influenciadas pelos ventos locais e regime das marés, e não são visíveis na superfície, a não ser muito próximo da costa, nas arrebentações.

As correntes sofrem alteração de direção e intensidade constantemente. No momento, vistorias embarcadas e aéreas, em andamento, não identificaram manchas de óleo no mar.

É perigoso comer peixe da região afetada?

O secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Júnior, afirmou que a população do Nordeste pode continuar consumindo pescados apesar das manchas de petróleo que atingem a costa da região há dois meses. Biólogos, no entanto, sugerem cautela no consumo, já que pode ter ocorrido contaminação.

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