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Trump pune vinho francês com sobretaxa de 25% a partir desta sexta nos EUA

17/10/2019 18h49

A guerra comercial lançada pelo presidente americano, Donald Trump, alcança nova etapa nesta sexta-feira (18), com a entrada em vigor de sobretaxas nas importações de produtos europeus: mais 10% no comércio de aviões e 25% em outros produtos industriais e agrícolas, incluindo o vinho francês, o queijo italiano e o uísque escocês.

A guerra comercial lançada pelo presidente americano, Donald Trump, alcança nova etapa nesta sexta-feira (18), com a entrada em vigor de sobretaxas nas importações de produtos europeus: mais 10% no comércio de aviões e 25% em outros produtos industriais e agrícolas, incluindo o vinho francês, o queijo italiano e o uísque escocês.

A "punição" de Trump é um efeito colateral na batalha que opõe os EUA e a União Europeia num setor estratégico: o mercado da aviação comercial e os subsídios concedidos de ambos os lados às fabricantes Boeing e Airbus.

Os Estados Unidos representam o primeiro mercado de exportação para os vinhos franceses. Em entrevista à RFI, François Labet, presidente do Escritório Interprofissional de Vinhos de Bourgogne e maior proprietário do vinhedo Clos de Vougeot, onde produz o grand cru Château de la Tour, diz que o aumento das taxas alfandegárias é vivido pelos produtores franceses como uma grande injustiça. Atacar o vinho francês é simbólico pela excelência da produção, reconhecida internacionalmente. "É um conflito comercial que não nos diz respeito, e que está acima de nossa capacidade de solucionar", afirma o produtor.

Ele nota que Trump age de forma provocativa e seletiva, com objetivo exclusivamente político, uma vez que sobretaxa o queijo italiano, mas não o vinho produzido na Itália. Impõe um custo extra ao vinho francês, mas poupa os queijos franceses de um acréscimo nos preços. "Os dirigentes europeus pedem para sermos pacientes, dizendo que a Organização Mundial do Comércio irá, em breve, desmascarar as subvenções disfarçadas concedidas pelos EUA à Boeing", relata.

"O problema é não termos visibilidade a longo prazo", estima o viticultor. "Não sabemos por quanto tempo seremos taxados - três meses, seis meses ou um ano? Nossas exportações estão em constante alta para os Estados Unidos e representavam, até agora, € 230 milhões por ano, o equivalente a 25% das vendas de vinhos da região de Bourgogne", revela.

Labet considera que os consumidores americanos estão tão surpresos quanto os produtores franceses diante dessa política protecionista. Com a nova tarifa, a garrafa do vinho francês ficará um terço mais cara nos Estados Unidos, o que certamente levará uma parte dos consumidores americanos a procurar produtos alternativos. "Poderemos resistir por um tempo, mas esperamos que os ministros da Economia e da Agricultura ouçam as nossas preocupações", destaca. Ele recorda que as exportações de vinho contribuem anualmente com € 13 bilhões na balança comercial francesa, ajudando o país a reduzir o déficit no comércio exterior.

Diante do imprevisível Trump, o consolo para os produtores franceses é que o Brexit não deve causar um impacto maior nas vendas de vinho para o mercado britânico. O proprietário do prestigioso Château de la Tour prevê eventuais atrasos nas entregas no Reino Unido, devido à reintrodução dos controles na fronteira, mas nada que venha a abalar o hábito dos britânicos de saborear um bom rouge francês.

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