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Inspirada em modelo dos EUA, Finlândia reduz número de sem-teto

Kati Pohjanpalo

19/07/2019 12h45

(Bloomberg) -- Olhe pelas ruas de Helsinque, espreite os recantos dos prédios ou sob as pontes, mas não irá encontrar: caixas de papelão usadas como cama, sacos de dormir e barracas que são usados por pessoas que vivem nas ruas em cidades do mundo todo.

Na Finlândia, o número de pessoas sem-teto caiu cerca de 40% na última década, apesar de duas recessões. Enquanto políticos em Berlim, Londres e Nova York tentam resolver a crise habitacional com regras mais rígidas para aluguéis e congelamento de preços, acomodação temporária, moradias sociais e cofinanciamento público de apartamentos de aluguel reduzido, a Finlândia adotou uma abordagem mais direta. O governo construiu mais imóveis para pessoas que mais precisavam deles.

O país faz parte do movimento global Housing First (habitação em primeiro lugar), uma ideia nascida em Nova York no início dos anos 90, idealizada por Sam Tsemberis. Um psicólogo nascido na Grécia que cresceu em Montreal, Tsemberis mudou-se para Nova York para trabalhar com doentes mentais, muitos dos quais vivendo nas ruas. Organizações sem fins lucrativos e governos enfrentaram desafios para ajudá-los a subir uma escada que os levaria finalmente a uma vida independente em um lar próprio. Para chegar lá, tinham que superar a doença, abuso de substâncias e desemprego.

"Era um dilema impossível", disse Tsemberis em entrevista. "Então, começamos a perguntar aos sem-teto que estavam mentalmente doentes o que eles queriam, e a primeira coisa era moradia, em vez de torná-la um prêmio no final de uma série de passos que precisavam dar primeiro."

Filadélfia e Burlington, no estado de Vermont, seguiram Nova York e implementaram programas Housing First, que ainda existem atualmente. Nos Estados Unidos, disse Tsemberis, os gastos sociais relativamente escassos forçaram organizações sem fins lucrativos a encontrar abordagens inovadoras, mas limitaram sua aplicação. Em outros lugares, os programas para a falta de moradia crônica estão sendo implementados em escala nacional, com base na ideia de que a moradia é um direito humano.

Mais de 17 países ao redor do mundo, do Canadá à Nova Zelândia, têm adotado métodos semelhantes. Praticamente não existem mais pessoas morando nas ruas na Finlândia, um país de 5,5 milhões de habitantes, onde cerca de 500 pessoas atualmente não têm onde dormir à noite. O número se compara às 52 mil pessoas que dormem nas ruas na Alemanha, um país de 80 milhões.

"O que os finlandeses fizeram foi investir em prevenção", disse Tsemberis. "Começaram a subsidiar aluguéis antes que as pessoas perdessem suas casas."

Atingir a meta exigiu investimentos consideráveis do estado de bem-estar nórdico. Cerca de 7 mil imóveis a preços acessíveis foram construídos sob três programas desde 2008, reconhecendo que raramente moradores de rua encontram apartamentos no mercado regular de aluguel.

"Há muitas pessoas com uma infinidade de problemas, incluindo problemas de saúde mental, que nunca conseguirão sair das ruas por conta própria", disse Sanna Tiivola, diretora da VVA, uma organização não governamental que ajuda os sem-teto. "É dever da sociedade ajudar essas pessoas."

--Com a colaboração de Rob Urban.

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