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Massacre em Suzano: o que se sabe até agora sobre o caso que chocou o país

A Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), foi isolada após massacre que deixou dez mortos - Bruna Nascimento/Myphoto Press/ Estadão Conteúdo
A Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), foi isolada após massacre que deixou dez mortos Imagem: Bruna Nascimento/Myphoto Press/ Estadão Conteúdo

Do BOL, em São Paulo

13/03/2019 22h03Atualizada em 18/03/2019 15h17

Dois ex-alunos efetuaram disparos dentro de uma escola em Suzano (Grande São Paulo), matando ao menos sete pessoas na manhã de quarta-feira (13). Antes, a dupla assassinou um comerciante na região, que era tio de um dos atiradores. Os dois também morreram, totalizando dez mortos no massacre.

A Secretaria da Segurança Pública informou que os atiradores foram identificados como Guilherme Taucci Monteiro, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25. Entre os mortos na Escola Estadual Professor Raul Brasil, estão cinco alunos do ensino médio e dois funcionários.

  • Reprodução / Facebook

    Exposição na web

    Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, apontado como o mentor do massacre, publicou uma série de imagens em seu Facebook antes de cometer o crime. De acordo com os registros da rede social, a postagem foi feita por volta de 9 horas da manhã de quarta-feira (13).

    Entre as 30 fotos publicadas pelo rapaz, que se identificava como Guilherme Alan na rede social, há imagens em que ele aparece armado. Em várias dessas imagens, Guilherme está com a máscara que usou durante o massacre. Até as 14h, o perfil do adolescente estava no ar, mas logo em seguida foi removido da rede social.

    Havia no perfil de Guilherme algumas publicações de cunho político. Entre elas, uma postagem, feita em 17 de fevereiro, que apresentava o "A no círculo", conhecido símbolo anarquista que significa "Anarquia é ordem", ideia de autoria do filósofo francês Pierre-Joseph Proudhon, um dos mais influentes teóricos do anarquismo.

    Também circulam nas redes sociais imagens do suposto perfil do outro atirador do massacre, Luiz Henrique de Castro, de 25 anos. Leia mais

  • Reprodução

    Desespero dos alunos

    Imagens de câmeras de segurança da escola estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), mostram a ação dos atiradores. Em um saguão da escola, em frente ao que parece ser o guichê de uma secretaria, um deles saca uma arma e atira contra alunos. Começa a correria.

    Na sequência, surge o segundo autor do ataque. Ele tira artefatos de uma mochila e começa a desferir golpes com um machado. Atinge pessoas que já estavam caídas no chão. Leia mais

  • EPA / Sebastião Moreira

    Atiradores eram ex-alunos

    A polícia confirmou que os atiradores eram ex-alunos do colégio. Segundo João Camilo Pires de Campos, secretário de Segurança Pública de São Paulo, os acusados Guilherme Taucci Monteiro, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25, haviam estudado na Escola Estadual Raul Brasil.

    Segundo ele, Guilherme estudava no colégio até o ano passado. Ele não informou até quando Luiz Henrique foi matriculado na escola. Leia mais

  • Estadão Conteúdo

    As vítimas da tragédia

    A polícia divulgou os nomes dos dez mortos no ataque, sendo cinco alunos, dois funcionários e um comerciante, dono de uma locadora que fica próximo à escola e tio de Guilherme, além dos dois atiradores, que teriam cometido suicídio.

    Os estudantes eram:
    Caio Oliveira, 15 anos
    Claiton Antonio Ribeiro, 17 anos
    Douglas Murilo Celestino, 16 anos (socorrido, morreu no hospital)
    Kaio Lucas da Costa Limeira, 15 anos
    Samuel Melquiades Silva Oliveira, 16 anos

    Funcionárias da escola:
    Marilena Ferreira Vieira Umezo, coordenadora pedagógica, 59 anos
    Eliana Regina de Oliveira Xavier, agente de organização escolar, 38 anos

    Dono da loja de carros:
    Jorge Antonio de Moraes, de 51 anos, era irmão de mãe de Guilherme, um dos atiradores
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  • Facebook

    Professora foi morta na porta

    Defensora dos "livros como melhor arma para salvar o cidadão", a professora Marilena Ferreira Umezu foi a primeira pessoa a ser baleada. "Os portões estavam abertos e eles foram recebidos pela coordenadora. Eles entraram na escola, atiraram na coordenadora, depois numa segunda funcionária e depois nos alunos", disseram as autoridades de segurança.

    Em seus perfis em redes sociais, a professora compartilhava fotos abraçada às duas netas, a quem descrevia como "meus presentes" e "minhas preciosas". Em 19 de janeiro, Marilena tocou no assunto dos armamentos ao compartilhar uma imagem em seu perfil. Dizia o texto: "Somos a favor do porte de livros, pois a melhor arma para salvar o cidadão é a educação". Leia mais

  • Talita Marchao / UOL

    'Bíblia satânica'

    Cadernos de Guilherme Taucci Monteiro, um dos autores do massacre, foram apreendidos pela Polícia Civil. Além de desenhos de homens encapuzados e palavras de ódio, as anotações trazem ainda "regras do jogo", em referência às táticas de vídeo semelhantes a games como Garena Free Fire e Call of Duty.

    Na contracapa de um dos cadernos, Guilherme escreve: "Quando caminhando em território aberto, Não aborreça ninguém. Se alguém lhe aborrecer, peça-o para parar. Se ele não parar, Destrua-o". O atirador cita a "bíblia satânica" como fonte da mensagem. Leia mais

  • Facebook

    Bullying na escola

    Entrevistada pela Band, Tatiana Taucci, mãe de Guilherme, afirmou que o filho havia abandonado os estudos após sofrer bullying. Para a mãe, o menino "era uma criança", um ótimo filho, "um moleque muito tranquilo", que "não falava nada, ficava jogando videogame".

    À Folha de S.Paulo, a mãe reafirmou que o jovem sofreu bullying na escola por conta da acne no rosto e lamentou as mortes: "Perdi meu filho e meu irmão. Não dá para acreditar... Minha vida acabou", disse ela, referindo-se ao tio de Guilherme, Jorge Antonio de Moraes, morto pelo sobrinho antes da invasão à escola. Leia mais

  • Montagem BOL

    Jovem enganou o pai

    Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, levantou ainda de madrugada e caminhou com o pai até a estação de trem, onde costumava chegar às 5h30. Os dois trabalhavam juntos com serviços gerais, retirada de entulho e capinagem. Na estação, Luiz disse ao pai que não estava se sentindo bem, tinha dor de garganta e febre e voltaria para casa. Não voltou. Foi encontrar com o amigo G.T.M., de 17 anos, com quem cometeu o massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), que deixou dez mortos.

    Reportagem de Estadão Conteúdo mostra que os vizinhos estavam acostumados a ver Luiz e o amigo Guilherme juntos. Todos os dias, por volta das 17 horas, sentavam em frente a uma das casas e passavam horas conversando. "Só sentavam aí na frente, conversavam e davam risada. Nunca poderíamos imaginar que eles fariam isso", diz Cida Abidel, de 53 anos, que conhece os pais de Luiz há mais de 30 anos. Filho mais novo (tinha dois irmãos, de 40 e 42 anos), Luiz era recebia bastante atenção dos pais. "Faziam de tudo por ele."

    Os amigos costumavam ir três a quatro vezes por semana a uma lan house a cinco quadras de suas casas. Ali jogavam os games Call of Duty, Counter Strike e Mortal Kombat. "Se restringiam a dizer boa noite e obrigado", conta a funcionária Nadia Cordeiro, de 23 anos. Leia mais

  • Sigmapress

    As armas do crime

    Além de um revólver calibre 38 e de um machado, os dois ex-alunos utilizaram também uma besta - espécie de arco e flecha montado em uma coronha e acionado por um gatilho. No Brasil, conforme juristas ouvidos pelo UOL, não existem leis que proíbam o porte desse tipo de equipamento, tampouco normas que versem sobre a venda e a compra do instrumento. Guilherme teria conseguido o dinheiro para as armas trabalhando em um carrinho de cachorro-quente. Leia mais

  • Johnny Morais/Futura Press/Estadão Conteúdo

    11 feridos

    Três dos 11 sobreviventes do massacre em Suzano que estavam internados em unidades de saúde tiveram alta médica até a manhã desta sexta-feira (15). São as meninas B.G.F. e L.M.N., ambas com 15 anos, e o garoto L.V.S., 16. Outros oito feridos do ataque permanecem internados, com estado de saúde estável.

    Uma das vítimas atingidas, José Vitor Lemos, de 18 anos, chegou caminhando sozinho com uma machadinha no ombro ao Hospital Santa Maria, a duas quadras da escola, logo depois do massacre. Ele se recupera da cirurgia para retirada da arma e não tem previsão de alta. O jovem completou 18 anos no dia 6. Para a mãe, Sandra Regina Lemos, a partir de agora ele terá duas datas de aniversário: "Nasceu de novo", disse ela ao UOL. Leia mais

  • Reprodução

    Pacto e suicídio

    Em entrevista ao UOL, o delegado Ruy Ferraz Fontes, responsável pelas investigações, afirmou que não existem informações concretas sobre como os atiradores teriam morrido, e que não sabe se havia de fato um pacto entre os dois. Inicialmente, a polícia divulgou que os dois executores teriam cometido suicídio. Depois, informou que um dos autores teria matado o outro e, depois, cometido suicídio. "É um trabalho que estamos fazendo, mas, por enquanto, isso é só uma presunção", disse, sobre o fato de um ter matado o outro de depois se suicidado. Leia mais

  • Arquivo Pessoal

    Vingança contra o tio

    De acordo com as investigações, Guilherme decidiu matar o tio, Jorge Antonio de Moraes, de 51 anos, dono de uma loja de carros, porque teve atritos com o familiar, de quem chegou a ser empregado. O adolescente foi demitido do local por, segundo a polícia, ter cometido pequenos furtos. "Ele não era reconhecido pelo tio, apesar de ter sido contratado para trabalhar na empresa, foi demitido após realizar pequenos furtos, e a informação que temos é que ele [Guilherme] era o líder da dupla", afirmou o delegado Ruy Ferraz Fontes ao UOL. Leia mais

  • Reprodução

    Crime organizado pelo Facebook

    Investigações apontam que os atiradores combinaram todo o ataque por meio de mensagens diretas pelo Facebook. Nos últimos meses, eles teriam organizado a logística e a dinâmica de como agiriam, mas não teriam escolhido perfis semelhantes para serem as vítimas.

    No diálogo, segundo os investigadores, os jovens disseram que alugariam um carro e que se vingariam de pessoas que lhes fizeram mal. A mãe do mais novo afirmou que ele sofria bullying na escola. A principal tese da polícia, nessas primeiras horas de investigação, é de que o crime, premeditado, foi motivado por raiva.

  • Reprodução

    Carro era alugado

    O carro usado pelos atiradores, que foi estacionado em frente à Escola Estadual Raul Brasil, era alugado. Eles conseguiram o veículo no dia 21 de fevereiro, em uma locadora a 2 km da escola onde aconteceu o massacre. O contrato de aluguel foi feito no nome do atirador mais velho, Luiz Henrique de Castro, de 25 anos. A devolução do veículo estava marcada para o dia 15 de março.

  • Arquivo Pessoal

    Vítima tentou salvar a namorada

    Douglas Murilo Celestino, de 16 anos, conseguiu fugir da Escola Estadual Raul Brasil durante o ataque, mas acabou voltando para tentar salvar a namorada, Adna Bezerra, 16. O estudante, que foi atingido pelos tiros, chegou a ser levado para o Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, mas não resistiu. Adna Bezerra, que está entre os feridos, continua internada na UTI do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

  • Estadão Conteúdo

    Terceiro envolvido no ataque

    Um outro adolescente de 17 anos é apontado como participante do crime. De acordo com a investigação, o jovem teria atuado na elaboração do ataque à escola. Ele estudou na instituição e frequentou a mesma sala que Guilherme Taucci Monteiro, 17, apontado pela polícia como o mentor do massacre. O menor foi encaminhado à Justiça nesta sexta-feira (15). Leia mais

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