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Médicos narram luta e piora de Paulo Gustavo: 'Como desligasse interruptor'

Paulo Gustavo ganha homenagem - Reprodução/TV Globo
Paulo Gustavo ganha homenagem Imagem: Reprodução/TV Globo
do UOL

Do UOL, em Santos

09/05/2021 22h35

Médicos que acompanharam o tratamento do ator Paulo Gustavo no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, disseram que, no fim de semana antes de sua morte, o ator teve "o melhor dia durante a internação", interagindo e demonstrando recuperação. Pouco depois, no domingo, dia 2 de maio, porém, teve uma piora repentina, como "se tivessem desligado um interruptor".

Em entrevista ao "Fantástico", a equipe detalhou o tratamento do artista e sua luta contra as complicações.

O ator morreu no último dia 4 de maio, uma terça-feira. No fim de semana anterior, ele estava relativamente bem, e a equipe médica, confiante na recuperação. Sua sedação foi diminuída, e o ator chegou a interagir com amigos e familiares.

"Talvez tenha sido o melhor dia dele durante a internação", afirmou o pneumologista Rafael Pottes.

"A gente falava, 'abre o olho e fecha duas vezes', e ele fazia. 'Abre a boca, bota a língua para fora'. E dizíamos, 'você está melhorando'", contou a amiga e cineasta Susana Garcia, ao programa.

O quadro, no entanto, mudou radicalmente no domingo. "'Foi como tivesse desligado um interruptor. Ele ficou pálido, a pressão arterial caiu, e ele parou de interagir. Isso aconteceu umas quatro vezes durante a tarde", contou Fabio Miranda, chefe da terapia intensiva.

O quadro foi causado por uma fístula (conexão entre um órgão com outra estrutura que normalmente não estão conectados) entre alvéolos do pulmão e a veia pulmonar, que permitia a entrada de ar na corrente sanguínea. Isso levou a uma embolia gasosa.

"O coração e o cérebro foram órgãos imediatamente afetados por essa quantidade de ar. (...) Não havia como corrigir. Não tem como detectar a área em que está ocorrendo e nem como corrigir", disse Fabio Miranda.

Nesse momento, na noite de segunda (3), explica o médico, foi quando o hospital divulgou a informação de que o quadro do ator era irreversível. Ele morreria no dia seguinte.

"Ele era saudável e teve o melhor tratamento. Foi feito todo o possível, e ele morreu", afirma Susana, chamando a atenção para a gravidade da doença.

Histórico de Paulo Gustavo

O comediante foi intubado em 21 de março, após 8 dias de internação para combater a covid-19. Paulo Gustavo, no entanto, continuou a apresentar piora do quadro respiratório e, no dia 2 de abril, a equipe médica decidiu submetê-lo à terapia por ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) na UTI, uma técnica também conhecida como pulmão artificial que auxilia na oxigenação do sangue.

No dia 4 e, novamente, no dia 9 de abril, o ator passou por procedimentos por via endoscópica (toracoscopia) para corrigir fístulas bronco-pleurais, uma comunicação anormal entre brônquios e pleura, a membrana dos pulmões, que permite o vazamento de ar.

Em 11 de abril, o ator seguia em estado crítico, teve nova fístula detectada, segundo nota à imprensa, e recebeu reposição de fatores de coagulação.

No dia 15 de abril, um novo boletim médico afirmou que ele também foi submetido naquela semana a "várias intervenções, como broncoscopias, e alguns procedimentos cirúrgicos" que controlaram hemorragias.

Em boletim divulgado no dia 3 de maio, os médicos informaram sobre a embolia gasosa disseminada. Ele morreu no dia seguinte.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi publicado, o nome do médico de Paulo Gustavo é Fabio Miranda e não Flávio Miranda. o erro foi corrigido.

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