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Orban reúne direita conservadora na Hungria em nome da "família" e contra o "lobby LGBT"

23/09/2021 15h21

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, e o ex-vice-presidente americano Mike Pence defenderam nesta quinta-feira (23) a soberania e os "valores da família" no primeiro dia de uma cúpula demográfica em Budapeste. O evento reúne a chamada direita identitária. 

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, e o ex-vice-presidente americano Mike Pence defenderam nesta quinta-feira (23) a soberania e os "valores da família" no primeiro dia de uma cúpula demográfica em Budapeste. O evento reúne a chamada direita identitária. 

"Para que nossa civilização prospere (...) nossa prioridade deve se preservar e fortalecer as famílias sobre as quais nossas nações foram construídas", disse Mike Pence, elogiando a política da Hungria de aumentar as taxas de natalidade. Essa é, segundo ele, a solução para "reverter o declínio demográfico", e não "a abertura de fronteiras". 

Na mesma linha, Orban defendeu um Estado "protetor da família, base da sobrevivência da nação", contra os "ataques da esquerda ocidental". "Tentam relativizar a noção de família, apoiando-se no lobby LGBT e de gênero", argumentou, após ser apresentado como "pai de cinco filhos". 

O líder húngaro tentou justificar as medidas tomadas contra a comunidade LGBTQ+ em seu país. Em junho, o Parlamento da Hungria adotou várias emendas legislativas para proibir "a promoção e representação da homossexualidade" para menores de 18 anos, provocando críticas severas de boa parte da comunidade internacional. 

No poder desde 2010, o primeiro-ministro húngaro sempre defendeu uma Europa "cristã" e enfrentou Bruxelas em mais de uma ocasião por questões como migração ou direitos da comunidade LGBTQ+. 

Extrema direita francesa representada 

A cúpula demográfica bianual de Budapeste existe desde 2015, mas esta edição tem um sabor político particular. Desde que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu - aliados de Orban - deixaram o poder, o presidente húngaro se apresenta como o último recurso contra o pensamento liberal nas democracias ocidentais. 

Junto a ele, no edifício Varkert Bazar, às margens do Danúbio, estavam vários líderes da região, como o presidente sérvio, Alexander Vuci, ou o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa. 

Pela França estava presente neste primeiro dia a ex-deputada da Frente Nacional (hoje Reunião Nacional), Marion Maréchal, neta de Jean-Marie Le Pen. O polêmico Éric Zemmour, editorialista apontado como possivel candidato na eleição presidencial francesa em 2022, deve desembarcar em Budapeste na sexta-feira (24). Já a líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, não participou da cúpula, mas declarou que pretende se reunir com Orban nas próximas semanas, "em um contexto mais político". 

Apoio dos conservadores americanos 

Nacionalistas e soberanistas ocidentais elogiam o "modelo húngaro" há anos: o país europeu chamou atenção ao rejeitar o direito de asilo em plena crise migratória de 2017, lutou contra as minorias sexuais e de gênero, e encampou uma política de promoção da natalidade. O apresentador e comentarista da Fox News, Tucker Carlson, elogiou abertamente Orban, a quem conheceu em agosto, e seu país, "seguro, ordeiro e puro", onde "o crime está ausente". 

Próximo da direita religiosa americana, o jornalista Rob Dreher também visitou Budapeste este ano, a convite de um think tank conservador. Diante da imprensa húngara, ele se declarou "deslumbrado com a bravura de Viktor Orban e com a maneira como zomba da opinião da Europa Ocidental". 

(Com informações da AFP)

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