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1 mês

Nova-iorquinos votam em primárias para definir prefeito do pós-pandemia

22/06/2021 11h53

Nova York, 22 Jun 2021 (AFP) - Os nova-iorquinos comparecem às urnas nesta terça-feira (22) para eleições primárias de resultado incerto que devem definir o prefeito do pós-pandemia da maior metrópole dos Estados Unidos.

Como Nova York é um reduto democrata, o vencedor das primárias do partido será, muito provavelmente, eleito prefeito em novembro, em uma disputa com o vencedor das primárias republicanas.

Os democratas registrados devem escolher entre um grupo diverso de 13 candidatos que disputam "o segundo emprego mais difícil" dos Estados Unidos, depois do cargo de presidente, como é conhecido o posto de prefeito de Nova York.

O vencedor será o sucessor do prefeito Bill de Blasio, de esquerda, que encerra oito anos de governo com uma grande impopularidade.

- "Hora de mudança" -"É hora de uma mudança, obviamente a cidade sofreu muito com a pandemia", disse à AFP Esther Rombaut, de 48 anos, diante do Met, o Museu Metropolitano de Arte de Nova York.

"Será crítico que o próximo prefeito resolva o que fazer com a política fiscal, como equilibrar o orçamento, que as crianças retornem para a escola, e todas as outras coisas que precisam ser feitas", acrescentou a mulher que trabalha na área de finanças e não revelou seu voto.

Há pouco mais de um ano, a cidade foi o epicentro nacional da pandemia, com mais de 33.000 mortes provocadas pelo coronavírus.

Mas a cidade iniciou o retorno à vida normal após vários meses de confinamento, graças a uma intensa campanha de vacinação. Praticamente todas as restrições foram suspensas, e 66% dos adultos da "Big Apple" receberam ao menos uma dose da vacina contra a covid-19.

"Há muito em jogo aqui", afirmou Lincoln Mitchell, professor da Universidade de Columbia, que destaca temas que vão da recuperação no pós-pandemia à mudança climática.

Desemprego, pessoas sem moradia, tiroteios e homicídios aumentaram desde o início da crise de saúde. Milhares de estabelecimentos comerciais fecharam as portas, vários residentes ricos deixaram a cidade, e muitas pessoas ainda trabalham de casa.

A pandemia e depois os protestos motivados pela morte de George Floyd em maio de 2020 em Minneapolis, assim como os ataques contra americanos de origem asiática, evidenciaram as desigualdades raciais nesta metrópole de 8,5 milhões de habitantes.

"O crime é, de longe, o tema número um que Nova York e os nova-iorquinos enfrentam", resume Douglas Muzzio, professor de Ciência Política da Baruch College.

"As pessoas percebem que a criminalidade está em alta (...) E, na mídia, elas são bombardeadas com crimes e atos criminosos nas ruas, no metrô", completa.

- Prognóstico incerto -O novo prefeito de Nova York também enfrentará um déficit fiscal de bilhões de dólares, segundo as previsões para os próximos anos.

Eric Adams, negro, ex-policial, considerado moderado e presidente do distrito do Brooklyn, lidera as pesquisas das primárias. O principal tema de sua campanha é a luta contra a criminalidade.

O empresário do setor de tecnologia Andrew Yang, também moderado e que prometeu pagar mil dólares a cada americano quando foi pré-candidato nas primárias democratas à Presidência no ano passado, também apareceu entre os favoritos durante grande parte da campanha.

Kathryn Garcia, outra moderada, e Maya Wiley, uma advogada negra especializada em direitos humanos que foi apoiada recentemente pela congressista Alexandria Ocasio-Cortez, estrela da ala mais progressista do Partido Democrata, também estão na disputa. Em caso de vitória de uma delas, Nova York terá uma prefeita pela primeira vez na história.

Um novo sistema de votação que pede aos eleitores para classificar cinco candidatos por ordem de preferência torna os prognósticos praticamente impossíveis.

"Nenhum dos candidatos tem mais de um quarto do eleitorado. Levará semanas para contar os votos", antecipa Muzzio.

A menos que um candidato consiga desde o início mais de 50% dos votos - um cenário muito improvável -, o candidato que ficar na última posição será eliminado, e seus votos, redistribuídos para sua segunda opção. E assim por diante com os demais aspirantes até que um candidato supere 50%. Com o sistema, o vencedor pode ser anunciado apenas em meados de julho.

Mais de 191.000 pessoas votaram durante os nove dias de votação antecipada, que terminaram no domingo. Também será necessário contar dezenas de milhares de cédulas enviadas por correio.

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