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Atentado contra João Paulo II não foi bem esclarecido, diz autor

12/05/2021 14h15

CIDADE DO VATICANO, 12 MAI (ANSA) - O turco Ali Agca, responsável por atirar contra o então papa João Paulo II em 13 de maio de 1981, afirmou nesta quarta-feira (12) que o ataque "não foi bem esclarecido" até hoje, em uma referência sobre os mandantes da ação.   

"Certamente, não foi tudo plenamente esclarecido sobre o atentado contra o papa João Paulo II. Todavia, a comissão Mitrokhin do Parlamento italiano descobriu algumas verdades", disse Agca à ANSA na véspera dos 40 anos do ataque no Vaticano.   

"Até o então chefe da KGB Victor Ivanovic Sheymov chegou a confessar algumas coisas sobre o atentado ao Papa polonês. Mas é a memória que falta a muitos em um mundo cheio de eventos, naturalmente", adicionou o turco.   

Ainda durante a entrevista, Agca sugeriu entrevistar "o senador Paolo Guzzanti", que foi o responsável por guiar o Dossiê Mitrokhin, realizado entre 2002 a 2006.   

Ao ser questionado pela ANSA, Guzzanti afirmou que logo após o crime, Agca "confessou a todos os magistrados italianos que o ouviram, dando a exata reconstrução de ter sido pago como matador dos serviços búlgaros, mas depois, intimidado no presídio de dois magistrados militares da Bulgária, deu uma de louco e sua versão não pode ser utilizada".   

O senador ainda ressaltou que, durante a época em que liderou a investigação, foram ouvidos todos os juízes e investigadores do atentado e que eles afirmaram que "na época, não poderíamos ter feito nada melhor".   

"E nós fizemos também duas investigações, uma decidida pela maioria e uma da oposição, que certificaram que o homem que estava na famosa foto com Agca na Praça São Pedro fosse, sem sombra de dúvidas, Sergei Antonov", disse Guzzanti ao referir-se sobre um dos homens do serviço secreto da Bulgária na Itália.   

À ANSA, o senador ressaltou que, a partir de então, "as coisas andaram exatamente como Agca tinha confessado no início".   

"E isso, no que tange os aspectos organizacionais e logísticos, foi depois confirmado também pelo embaixador do ex-país soviético, em época sucessiva à queda do muro [de Berlim], que afirmou que um caminhão foi colocado à disposição dos búlgaros após o atentado e que levou os cúmplices de Agca à Embaixada na via dei Monti Parioli", acrescentou.   

Conforme o senador, após a prisão de Agca e a visita dos juízes búlgaros, o atirador "começou a dar uma de louco e dizer que tinha visto Jesus e Apocalipse". Além disso, a investigação mostrou que foi o Serviço de Informação das Forças Armadas Russas (GRU), e não a KGB, a dar a ordem aos búlgaros para "eliminar o Papa polonês".   

"A questão, em resumo, foi plenamente militar porque Wojtyla impedia a plena agilidade no solo polonês do Solidarnosc [um grupo sindical comunista]", acrescentou.   

Sobre a falta de esclarecimento citada agora, Guzzanti diz que concorda porque "bastaria que ele repetisse aquilo que disse aos magistrados no início, dando todos os nomes e os detalhes".   

Apesar da fala do senador, até hoje não foi comprovado o envolvimento do governo búlgaro no atentado, apesar de fortes indícios. Atualmente, Agca vive na Turquia após ser expulso da Itália em 2014. (ANSA).   

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