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Banco estatal e setor privado de Cuba denunciam fortes perdas pelo embargo

07/05/2021 02h56

Havana, 6 mai (EFE).- O banco estatal e representantes do setor privado de Cuba denunciaram nesta quinta-feira que sofreram fortes perdas nos últimos quatro anos devido à redução do turismo e das remessas, entre outros problemas, como resultado do endurecimento do embargo econômico dos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump.

Nos seus quatro anos no poder (2017-2021), Trump suprimiu os canais legais para o envio de remessas, endureceu os requisitos para viajar à ilha, vetou cruzeiros, proibiu voos para todos os aeroportos cubanos, exceto Havana, e devolveu Cuba à lista de países patrocinadores do terrorismo.

No caso específico da limitação do turismo e da suspensão dos cruzeiros, "houve um impacto muito negativo nos nossos clientes, especialmente nestas novas formas de gestão: trabalhadores independentes e cooperativas não agrícolas", disse Marina Torres, vice-presidente do Banco Metropolitano.

Torres apoiou sua tese com dados que mostram como os créditos concedidos ao setor privado caíram de 232 milhões de pesos (US$ 9,6 milhões) em 2017 para 136 milhões de pesos (US$5,6 milhões) em 2018, e apenas 58 milhões de pesos (US$2,4 milhões) em 2019.

Torres comentou que o impacto econômico das medidas de Trump reduziu drasticamente os rendimentos dos trabalhadores independentes e cooperativas, reduzindo sua clientela e volume de negócios, o que os desencorajou a solicitar novos empréstimos para seus projetos e gerou dificuldades para pagarem os já solicitados.

Além disso, 81% dos clientes que mantiveram créditos no banco no final de 2019 pediram um refinanciamento, de acordo com os dados da entidade.

"Estamos em um lugar onde há muitos hotéis e, portanto, muitos clientes estrangeiros, por isso fizemos um estudo de mercado, decidimos expandir e pedimos um crédito", declarou à Agência Efe Pedro Pablo Guaty, proprietário de um restaurante no bairro central de El Vedado, em Havana.

Guaty disse que, devido às políticas de Trump, as visitas de turistas estrangeiros, especialmente americanos, diminuíram consideravelmente, razão pela qual seu restaurante foi esvaziando entre 2017 e 2019 e foi forçado a renegociar o crédito e a reduzir a equipe.

Hoje, devido às severas restrições impostas em Cuba por causa da pandemia, Guaty mantém o estabelecimento fechado ao público, embora mantenha o serviço de delivery com um mínimo de pessoal.

A vice-presidente do Banco Metropolitano lembrou ainda as limitações das remessas familiares aplicadas pelo Trump, que "afetam diretamente nossos clientes e são rendimentos de comissões que deixamos de cobrar".

A estas juntam-se outras medidas do embargo que dificultam as transações com bancos de terceiros países, relutantes em trabalhar com bancos cubanos por receio de possíveis represálias por parte dos Estados Unidos.

O último relatório anual de Cuba sobre os danos causados pelo embargo, apresentado em outubro do ano passado, mostrou que a ilha perdeu entre abril de 2019 e março de 2020 um montante recorde de US$ 5,57 bilhões devido às sanções de Washington.

Segundo as autoridades cubanas, em valores atualizados, os danos acumulados nas quase seis décadas de embargo dos EUA totalizam US$ 144,413 bilhões.

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