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15 dias

Navalny é transferido para hospital, diz serviço penitenciário da Rússia

Crítico mais proeminente do presidente Vladimir Putin, Navalny entrou em greve de fome em 31 de março - Reuters
Crítico mais proeminente do presidente Vladimir Putin, Navalny entrou em greve de fome em 31 de março Imagem: Reuters
do UOL

Do UOL, em São Paulo*

19/04/2021 07h26Atualizada em 19/04/2021 08h00

O serviço penitenciário da Rússia decidiu hoje transferir para um hospital para presos o opositor russo Alexei Navalny, que está em greve de fome há três semanas, ao mesmo tempo que afirmou considerar o estado de saúde do detento "satisfatório".

"Uma comissão de médicos (...) decidiu pela transferência de A. Navalny para uma unidade hospitalar para os condenados que fica no complexo da colônia penitenciária Nº 3", afirmou o serviço penitenciário da região de Vladimir em um comunicado.

"O estado de saúde de Navalny é considerado satisfatório atualmente. Ele é examinado diariamente por um médico terapeuta", completa o texto.

Também de acordo com o serviço penitenciário, "com o consentimento do paciente, foi prescrita uma terapia de vitaminas".

O estado de saúde do opositor, que segundo os seus partidários corre o risco de graves problemas cardíacos e renais que podem provocar a morte, gera grande preocupação porque ele sobreviveu há menos de um ano a um envenenamento por uma substância neurotóxica.

Crítico mais proeminente do presidente Vladimir Putin, Navalny, 44 anos, iniciou a greve de fome em 31 de março para protestar contra as más condições de sua detenção. Ele acusou a administração penitenciária de impedir o acesso de um médico e de remédios, apesar de sofrer uma dupla hérnia de disco, segundo os seus advogados.

Os médicos de Navalny afirmaram ontem que foram impedidos de visitar o opositor do Kremlin.

Ele também afirmou que foi ameaçado de alimentação à força, opção a que as autoridades russas podem recorrer caso um preso se recuse a aceitar as refeições.

Os aliados do principal crítico do Kremlin convocaram os russos, ontem, a irem às ruas em 21 de abril para "salvar a vida" do opositor.

União Europeia 'profundamente preocupada'

A UE (União Europeia) se declarou "profundamente preocupada" com a saúde de Navalny. Os chanceleres do bloco iniciaram hoje uma reunião por videoconferência para examinar o caso do opositor.

O governo dos Estados Unidos advertiu ontem que Moscou enfrentará "consequências" em caso de morte de Navalny.

O opositor, que retornou em janeiro ao país, depois de cinco meses de convalescença na Alemanha devido ao envenenamento que atribui ao Kremlin, foi detido imediatamente e condenado a dois anos e meio de prisão por uma antiga acusação de fraude, um processo que Navalny denuncia como politicamente motivado.

O ministério do Interior da Rússia advertiu hoje contra qualquer participação nas manifestações não autorizadas de apoio a Navalny, previstas para quarta-feira.

"As unidades do ministério do Interior e outras forças de segurança não permitirão uma desestabilização da situação e adotarão todas as medidas necessárias para manter a ordem", afirmou o ministério do Interior, em um comunicado.

* Com informações da AFP

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