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Bolsa cai 1,32% e vai ao menor nível em quase 3 meses; dólar sobe a R$ 5,40

do UOL

Do UOL, em São Paulo

21/09/2020 17h11

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, caiu pela segunda sessão seguida, com recuo de 1,32%, a 96.990,72 pontos, menor nível em quase três meses, desde 3 de julho (96.764,85 pontos). Na sexta-feira (18), o índice fechou com desvalorização de 1,81%, a 98.289,711 pontos.

O dólar comercial emendou a segunda alta, de 0,43%, e fechou o dia cotado a R$ 5,40 na venda, maior valor em três semanas, desde 31 de agosto (R$ 5,481). Na sexta, a moeda norte-americana tinha valorizado 2,77%, negociada por R$ 5,377.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Preocupação com coronavírus

O movimento do mercado nesta segunda-feira refletia temores sobre uma possível retomada de medidas rigorosas de distanciamento social nas principais economias, já que os casos de coronavírus voltaram a disparar na Europa. O Reino Unido avalia um segundo lockdown nacional, após os novos casos aumentarem em ao menos 6.000 por dia.

"Estamos vendo uma piora relevante no quadro sanitário da Europa, nos países que começaram a abrir a economia a partir de abril", disse Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos. "Com certeza essa maior aversão a risco eleva a demanda por segurança, e o principal ativo procurado em momentos de cautela é o dólar."

Com mais investidores comprando dólar, a moeda tende a se valorizar em relação ao real.

Atenção aos gastos do governo

Mas a alta do dólar não é apenas reflexo da aversão a risco no exterior, afirmou Ortiz.

No Brasil, o desconforto com a cena fiscal permanece. Há dúvidas crescentes sobre a capacidade do governo de financiar programas de assistência social sem desrespeitar o teto de gastos.

Na semana passada, um dia depois de vetar o Renda Brasil, o presidente Jair Bolsonaro autorizou o relator do Orçamento, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), a incluir na proposta orçamentária de 2021 a criação de um programa social com a mesma função do programa negado pelo presidente.

"A equipe econômica não deixou claro como o novo programa será financiado de forma a ser encaixado no teto de gastos, que já corre o risco de não ser cumprido", disse Ortiz, destacando ainda que "o risco político e o fiscal andam lado a lado", uma vez que a maioria dos ruídos em Brasília ocorre em meio a negociações de reformas e maneiras de compor os gastos públicos brasileiros.

Na quarta-feira passada, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em sua mínima histórica de 2% ao ano, após nove cortes consecutivos. O BC divulga amanhã a ata dessa reunião, com informações mais detalhadas sobre seus cenários a respeito do balanço de riscos para a inflação.

*Com Reuters

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