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5 carros atuais com potencial para 'envelhecer bem' no mercado de usados

Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

do UOL

Colunista do UOL

13/08/2020 04h00

Recentemente um cliente solicitou a avaliação de um carro de luxo com alguns anos de vida. Tratava-se de um Volvo XC60, modelo 2011. O preço do anúncio chamou minha atenção, pois custava apenas R$ 40 mil, bem abaixo da Tabela Fipe. Comparei com outros anúncios e conclui que não estava fora do preço praticado pelos outros. Por ser um carro de difícil revenda, é comum que os donos aceitem vender por um valor abaixo da tabela.

Na mesma hora lembrei que tenho na garagem um Honda Civic, também 2011 e com valor de mercado próximos dos R$ 40 mil. Não precisa conhecer muito de carros para saber que o XC60 é muito mais refinado, confortável, seguro e potente que um Civic. Mas basta uma rápida consulta para notar que, quando novos, em 2011, o Volvo custava cerca de R$ 120 mil, enquanto o Honda era comercializado por cerca de R$ 70 mil.

O que aconteceu nesses sete anos para sumir essa diferença de R$ 50 mil entre eles? Não tenho dúvidas que o alto custo de manutenção desse SUV sueco é o principal fator para que ele perca cada vez mais seu valor de mercado. Some a isso a dificuldade de as seguradoras o aceitarem e temos um carro cada vez menos procurado no mercado de usados.

Sei que muitos brasileiros não se importam com isso. Eu mesmo tenho outros carros inusitados e de baixa liquidez. Mas também sei que a maioria se preocupa muito com esse quesito. No nosso país, quanto mais durável for o carro, melhor sua aceitação no mercado de usados no longo prazo - aquele que, muitas vezes, determina o sucesso ou fracasso de um modelo ou marca.

Sendo assim, resolvi listar alguns modelos atuais que melhor atendem a esse público. São modelos simples, que não precisam de muitos recursos para se manterem vivos, e consequentemente vão atravessar décadas prestando bons serviços.

Toyota Etios

etios - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O patinho feio da Toyota não me agrada visualmente. Torci o nariz na época de seu lançamento e fiquei sem entender o que a marca queria com um carro tão diferente daquilo que sempre foi oferecido por aqui. Para piorar, foi lançado na mesma época do Hyundai HB20, modelo que agradou mais pelo seu visual moderno e agressivo.

Mas os anos se passaram, vários Etios passaram por minhas mãos e fui obrigado a me render ao carrinho. Seja hatch ou sedã, 1.3 ou 1.5, manual ou automático, todos são muito bons. Mecânica simples e robusta, manutenção barata, baixo consumo de combustível, bom espaço interno e liquidez do mercado de usados são fatores que farão com que o Etios continue forte no mercado de usados por um bom tempo.

Fiat Mobi Fire

Mobi - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL

Outro carro que não me agrada no design, mas que tem a cara do Brasil. A Fiat sempre foi craque em fazer bons carros pequenos, e não foi diferente com o Mobi. Carrinho simples, que aguenta as diversidades e o mau uso de alguns motoristas, possivelmente vai durar muitos anos no mercado de usados.

Sobre sua mecânica, aprecio bastante o motor 3 cilindros da família FireFly, por sua modernidade e eficiência. Mas pensando no longo prazo, arrisco dizer que o motor 4 cilindros da consagrada família Fire deve ser o mais duradouro, por conta do baixíssimo custo de manutenção.

Claro que o espaço interno é bem limitado no Mobi, mas ele atende perfeitamente bem uma grande parcela da população, que não precisa mais do que isso. Só não posso dizer o mesmo daqueles que foram vendidos com câmbio GSR, que certamente não serão tão procurados quanto os manuais, no longo prazo.

Chevrolet Joy

Joy - Marcos Camargo/UOL - Marcos Camargo/UOL
Imagem: Marcos Camargo/UOL

Sim, é do Onix que estou falando, mas da carroceria antiga, rebatizada como Joy. Você pode detestar o pequeno hatch da Chevrolet, mas não pode negar suas qualidades, que estão mais do que validadas com o número de vendas dos últimos anos - em que ele liderou com folga. Parte do sucesso vem de sua consagrada mecânica, similar ao do nosso primeiro Corsa, em 1994.

A eletrônica, e a própria construção desse motor, evoluíram bastante, tanto que saiu de 50 cv no Corsa 94, para 80 cv no atual Joy. A facilidade de peças de reposição, assim como de se encontrar um mecânico que saiba mexer com esse carro, fará com que o Joy dure por muitos anos. E de carro durável a GM entende, basta ver a quantidade de Monzas, Vectras e Astras que continuam prestando bons serviços.

Volkswagen Fox 1.6

Fox - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Ele não deve durar muito tempo no mercado de novos, pois já não faz mais sentido diante dos outros modelos da VW, bem mais modernos. Ou seja, está desconectado com os novos, mas ainda tem bastante espaço entre os usados. Sua simplicidade mecânica fará dele um carro apto a cruzar as próximas décadas com mais dignidade que os modernos motores TSi de outros modelos.

O motor 1.6 8V do Fox já está consagrado, tem baixo custo de manutenção e não é temido por nenhum mecânico. E por mais que o projeto do carro seja antigo, ainda tem qualidades que o torna competitivo, como bom espaço interno e bom acerto de suspensão.

Ford Ka 1.0

Ka - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Para fechar a lista, o Ford Ka com motor 1.0, modelo que certamente continuará entre nós por muitos anos, graças a sua simplicidade mecânica. O pequeno motor de 3 cilindros usa correia dentada, porém ela é banhada a óleo. Com isso, o intervalo da substituição é de longos 120 mil km, ou 42 meses.

Fora isso, tem visual agradável, bom espaço interno, conforto de rodagem e baixo consumo de combustível. No ritmo que as coisas estão para a Ford no Brasil, não acharia estranho um Ka vendido hoje durar mais tempo no mercado de usados que a própria marca.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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