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Juiz peruano descarta prisão preventiva de ex-primeira-dama em caso Odebrecht

A ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, em Lima - Cris Bouroncle/AFP
A ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, em Lima Imagem: Cris Bouroncle/AFP

07/08/2020 16h42

Lima, 7 Ago 2020 (AFP) — Um juiz peruano indeferiu nesta sexta-feira (7) o pedido de prisão preventiva contra Nadine Heredia, esposa do ex-presidente Ollanta Humala, em meio ao escândalo de corrupção com a empreiteira brasileira Odebrecht.

"Considera-se infundado o pedido de prisão preventiva contra Nadine Heredia e os ex-ministros Luis Castilla e Eledoro Mayorga. Impõe-se uma medida de comparecimento com restrições", disse o juiz Carlos Sánchez, ao fim de uma audiência virtual iniciada na segunda-feira.

A promotora Geovana Mori havia solicitado 36 meses de prisão preventiva para Heredia e os dois ex-ministros por supostos crimes em prejuízo do Estado peruano envolvendo um contrato para a construção de um gasoduto e associação ilícita.

O juiz, porém, indicou que "não há elementos de condenação graves e bem fundamentados sobre o crime de conluio qualificado contra os acusados". Acrescentou que não há indícios que comprovem a existência de uma organização criminosa composta pelos três.

Segundo a acusação, Heredia exerceu "poder de facto" dentro do aparelho do Estado durante o mandato de Humala (2011-2016). O ex-presidente e sua esposa são acusados de receber US$ 3 milhões para a campanha que levou o militar aposentado ao poder.

A situação da ex-primeira-dama parecia ter se complicado depois que o ex-chefe da Odebrecht no Peru, o brasileiro Jorge Barata, afirmou em depoimento ao Ministério Público peruano que entregou pessoalmente o dinheiro a ela.

O advogado de Heredia, Jefferson Moreno, rejeitou as acusações na audiência judicial, dizendo que os elementos da condenação não preenchem os requisitos para a determinação de prisão preventiva pedida pela promotoria.

Heredia e Humala já estiveram em prisão preventiva por este caso durante nove meses entre 2017 e 2018. A promotora Geovana Mori anunciou imediatamente que vai apelar da decisão do juiz Sánchez.

O escândalo da Odebrecht, cujos executivos agora cooperam com a justiça peruana, respinga em quatro ex-presidentes do Peru, incluindo Humala e a líder opositora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).

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