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Coronavírus provoca temor de crise econômica mundial

28/02/2020 08h50

Os jornais franceses Les Echos e Le Figaro analisam como a propagação do vírus fora da China paralisa a economia em diversos setores

Os jornais franceses Les Echos e Le Figaro analisam como a propagação do vírus fora da China paralisa a economia em diversos setores

O efeito do Covid-19 na economia é a capa dos jornais Le Figaro e Les Echos desta sexta-feira (28). Com um caso de contaminação confirmado no Brasil e outro na Argélia, o coronavírus agora atinge todos os continentes. Novos casos são identificados em número maior fora da China, onde surgiu a doença.

A União Europeia teme que outros países registrem uma rápida propagação, como a ocorrida na Itália, onde já existem 650 infectados e 17 mortos.  O risco é o aparecimento de focos de epidemia não-identificados.

Na França, em visita ao hospital parisiense Pitié-Salpetrière, o presidente francês Emmanuel Macron declarou que a França vai administrar a epidemia "da melhor maneira possível", reforçando atendimento nos hospitais e as mensagens de prevenção.

O impacto planetário do vírus já é observado em diversos setores, entre eles o turismo, lembra o Le Figaro. Diante da propagação do Covid-19, que já atinge 81.000 pessoas em 40 países, muitas viagens foram canceladas. No início, apenas voos para a China foram restritos. Mas agora, diz Oliviver Ponti, vice-presidente da ForwardKeys, empresa especializada na análise de dados do tráfego aéreo, a epidemia está se transformando em uma crise global. Os chineses são responsáveis por 20% da receita turística mundial, e agora, a Europa e os Estados Unidos dão sinais de uma rápida desaceleração.

Desde o dia 20 de janeiro, lembra o Le Figaro, as reservas efetuadas por britânicos e americanos diminuíram em mais de 19% em relação ao ano passado. Na França, o "efeito coronavírus" foi o responsável por um recuo de 99% das viagens para a China, 61% para o Camboja, o Vietnã e a Tailândia e 4% para o resto do mundo. Outros setores, como a indústria automobilística, o high tech, e, logicamente, as companhias aéreas, também estão ameaçados. Só a Air France deve acabar com 1.500 vagas até o final de 2022.

O mercado financeiro também não escapa à crise. Depois de ter resistido muito tempo, as bolas e as ações sucumbiram ao pânico em torno do vírus. Em cinco dias, o CAC 40, a Bolsa de Paris, perdeu mais de 9% - 3,32% apenas nesta quinta-feira (27).

Empresas na China baixam previsões

Segundo o Les Echos, metade das empresas europeias presentes na China antecipam uma queda de pelo menos 10% do volume de vendas no primeiro semestre, e deve abaixar suas previsões para o resto do ano. As empresas americanas também esperam por uma forte queda, se os negócios não se normalizarem até o fim de abril. "Os efeitos são globais e severos. Não é apenas uma crise sanitária, mas uma crise econômica", disse ao Les Echos Stephan Wölleinsten, presidente da câmara de comércio alemã para o norte da China.

O editorialista do jornal Le Figaro, Gaëtan de Capèle, lembra que a crise gerada pelo coronavírus mostra a vulnerabilidade mundial em relação à China, que se tornou o pulmão da economia mundializada. E a tentação de instalar empresas em países onde a mão de obra é mais barata, para diminuir custos, aumenta essa dependência. A lição do coronavírus diz, não é a de ceder ao protecionismo, que nunca garantiu prosperidade, ao contrário. A lição é respeitar uma regra econômica de base: diversificar as fontes de abastecimento para não depender dos outros países.

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