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Inundações seguem em Veneza; maré deve começar a baixar a partir de hoje

Um homem seca uma bota em uma rua inundada em Veneza, na Itália. O governo da cidade declarou estado de emergência - ilippo Monteforte/AFP
Um homem seca uma bota em uma rua inundada em Veneza, na Itália. O governo da cidade declarou estado de emergência Imagem: ilippo Monteforte/AFP
do UOL

do UOL, em São Paulo

17/11/2019 10h13Atualizada em 17/11/2019 11h30

O centro histórico de Veneza registrou neste domingo (17) sua quarta grande inundação em menos de uma semana, agravando um cenário que já levou o governo a declarar estado de emergência na cidade.

Por volta de 13h15 (horário local, 9h15 no Brasil), a maré atingiu 150 centímetros acima do nível médio da água, 10 centímetros a menos do que estava previsto. Mesmo abaixo das previsões, a cheia já foi suficiente para alagar 70% do centro histórico. A Praça São Marco, região mais movimentada e inundável da cidade, foi interditada pelas autoridades municipais, que também suspenderam o serviço de transporte público por barcos.

Como precaução, todos os museus municipais de Veneza estarão fechados durante todo o dia, com exceção do Museu Correr, dedicado à história da cidade e localizado na Praça de São Marcos.

Nas ruas, alguns estabelecimentos permanecem fechados, mas aqueles que decidiram abrir suas portas, utilizam proteções de metal e madeira para impedir que a água molhe tudo.

O governo italiano decretou estado de emergência em Veneza após a enchente de terça-feira, já considerada histórica. A prefeitura calcula que os danos sofridos por conta da enchente chegam a 1 bilhão de euros.

O ministro italiano da Cultura, Dario Franceschini, que visitou Veneza para observar os danos, afirmou que as obras de reconstrução serão consideráveis. Ele disse que mais 50 igrejas foram danificadas. "Perdemos tudo que estava no porão", lamentou Luciano, funcionário de uma loja na praça de São Marcos.

Veneza, com 50 mil habitantes, recebe a cada ano 36 milhões de turistas, 90% deles estrangeiros. Os hotéis da cidade começaram a registrar cancelamentos nas reservas para as festas de fim de ano.

O prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, anunciou a abertura de uma conta bancária para doações, na Itália ou no exterior, que ajudarão nos trabalhos de reconstrução. "Veneza, lugar único, é patrimônio do todo o mundo. Graças a sua ajuda, a cidade brilhará de novo", afirmou Brugnaro em um comunicado.

Os moradores que tiveram as casas danificadas podem pedir uma ajuda governamental imediata de 5.000 euros e os comerciantes podem receber até 20 mil euros.

O centro histórico se distribui por ilhas situadas na Lagoa de Veneza, que sofre regularmente com a "acqua alta". Mais comum entre o fim do outono e o início do inverno europeu, esse fenômeno ocorre quando o nível do Mar Adriático sobe e invade as águas da lagoa, inundando a cidade.

As marés são influenciadas pelo ciclo lunar e por fenômenos meteorológicos, como tempestades e o vento de siroco, uma corrente de ar quente proveniente do deserto do Saara, mas fatores como o aquecimento global e o assoreamento do solo lagunar também contribuem para as enchentes.

Um projeto iniciado em 2003, o "Mose", prevê a construção de um complexo e caro sistema de comportas para evitar a "acqua alta", no entanto as obras caminham a passos lentos devido a escândalos de corrupção e só devem ser concluídas em 2021.

(Com informações da EFE, ANSA e AFP)

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