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Manifestações contra aumento da gasolina deixam um morto no Irã

Pessoas param seus carros em uma rodovia em protesto contra aumento da gasolina em Teerã - Nazanin Tabatabaee/WANA
Pessoas param seus carros em uma rodovia em protesto contra aumento da gasolina em Teerã Imagem: Nazanin Tabatabaee/WANA

16/11/2019 19h31

Os iranianos se mobilizaram novamente neste sábado em várias cidades do país, um dia após um aumento do preço da gasolina, anunciado de modo surpreendente pelo governo, e da morte de um civil durante uma manifestação, de acordo com a imprensa local.

Na sexta-feira, o governo anunciou um aumento de pelo menos 50% do preço da gasolina, fixado até agora em 10.000 riais o litro, menos de oito centavos de euro.

O aumento é apresentado como uma medida para arrecadar dinheiro que será distribuído entre as famílias pobres, em um país produtor de petróleo cuja economia, asfixiada pelas sanções americanas, deve registrar queda de 9% este ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Assim que a medida foi anunciada, no entanto, provocou divergências, sobretudo nas redes sociais e na classe política, que critica o momento escolhido pelo governo, a poucos meses das eleições legislativas de fevereiro. Pelo segundo dia seguido, muitos iranianos tomaram as ruas neste sábado e os protestos se espalharam para várias cidades, segundo a agência estatal Irna.

Em Sirjan, região central do país, a população atacou um depósito de gasolina e tentou incendiar o local, antes da intervenção da polícia, informou a Irna. "Infelizmente uma pessoa morreu", disse Mohammad Mahmudabadi, o governador interino de Sirjan, citado pela agência.

Mahmudabadi disse ainda que alguns civis ficaram feridos e insistiu que as forças de segurança não receberam autorização para atirar contra os manifestantes, apenas para o alto, como advertência.

População protesta contra o aumento da gasolina - Nazanin Tabatabaee/WANA
População protesta contra o aumento da gasolina
Imagem: Nazanin Tabatabaee/WANA
Protestos também foram registrados em Machhad (norte), Ahvaz, Shiraz e Bandar Abbas (sul), em Birjand (leste) e em Gachsaran, Abadan, Khoramshahr e Mahshahr (sudoeste). A emissora estatal acusou "meios (de comunicação) hostis" de denunciar notícias falsas e vídeos exagerando na magnitude dos protestos.

O procurador-geral, Mohamad Jafar Montazeri, declarou que a população "não se une a alguns elementos radicais" cujas ações mostram que estão contra o sistema.

Gasolina subsidiada

Em dezembro de 2018, o presidente Hassan Rohani tentou aumentar o preço da gasolina, mas a medida foi bloqueada pelo Parlamento. Na ocasião, o país estava paralisado há vários dias por manifestações contra as medidas de austeridade.

Para os motoristas que possuem um cartão de abastecimento, o preço agora será de 15.000 riais (11 centavos de euro), com a quantidade máxima de 60 litros ao mês. Cada litro adicional custará 30.000 riais (22 centavos de euro).

Os cartões foram adotados em 2007, quando o governo tentou mudar o sistema de subsídios e combater o contrabando. O sistema de cartões foi abandonado, mas voltou a ser usado em novembro de 2018.

O Irã é um dos países donde a gasolina é mais subsidiada. Graças aos preços reduzidos, o consumo de combustível é muito elevado, com 90 milhões de litros utilizados por dia em um país de 80 milhões de habitantes.

O presidente Rohani afirma que o lucro obtido com o aumento do preço da gasolina será redistribuído entre os iranianos que enfrentam dificuldades econômicas, ou seja 75% da população.

O aumento deve gerar 300 trilhões de riais (2,3 bilhões de euros) adicionais por ano, informaram a TV estatal e o secretário de Planejamento do Orçamento, Mohammad Bagher Nobakht.

Os valores pagos a quase 60 milhões de iranianos irão de 550.000 riais (4,2 euros no câmbio no mercado livre) para os casais até dois milhões (15,8 euros) para as residências de cinco pessoas ou mais. Os primeiros pagamentos devem acontecer em 10 dias, de acordo com Nobakht.

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