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Cicatrizes de queimadas na Amazônia são 32% de área desmatada em 1 ano

Vista aérea de áreas queimadas e focos de incêndio na Amazônia, em Nova Bandeirantes (MT); cicatrizes como esta representam um terço de locais desmatados - Victor Moriyama/Greenpeace
Vista aérea de áreas queimadas e focos de incêndio na Amazônia, em Nova Bandeirantes (MT); cicatrizes como esta representam um terço de locais desmatados Imagem: Victor Moriyama/Greenpeace
do UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

31/08/2019 04h00

As cicatrizes deixadas por queimadas florestais na Amazônia atingiram 5.671 km² nos últimos 12 meses, segundo medições feitas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A área equivale a 794 mil campos de futebol ou 17 vezes o território de Belo Horizonte (que tem 331 km²) ou quase o mesmo tamanho de Brasília (5.801 km²).

Nesse período, o Inpe mediu 17.822 km² de degradação ou desmatamento no bioma —ou seja, 32% desse total foi provocado por cicatrizes de fogo. Somente neste ano, até o dia 28 de agosto, foram 3.780 km² de área com marcas de queimadas percebida ao longo da floresta amazônica.

As cicatrizes são consideradas um tipo de degradação ambiental. "É como se você tivesse uma ferida e ela começasse a cicatrizar. Toda essa área que o fogo queimou, e que a floresta ou vegetação ficou com a pastagem deteriorada, é uma cicatriz", explica o coordenador do Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites), Humberto Barbosa.

"A gente chama de cicatriz porque o fogo já apagou, a temperatura baixou, mas ficou com a marca da queimada", completa.

Segundo o Inpe, o estado de Mato Grosso registrou pouco mais da metade desses casos de cicatrizes, com 2.987 km², seguido por Roraima (1.277 km²) e Amazonas (648 km²). Entre as áreas de proteção ambiental, a floresta nacional de Roraima foi a mais atingida: 132 km².

Nos últimos 12 meses, a área com cicatrizes de queimadas no solo só é menor que a de desmatamento com solo exposto, que atingiu 6.960 km² da floresta.

Vista aérea de áreas queimadas e focos de incêndio na Amazônia, na cidade de Nova Bandeirantes, Mato Grosso - Victor Moriyama/Greenpeace
Vista aérea de áreas queimadas e focos de incêndio na Amazônia, na cidade de Nova Bandeirantes, Mato Grosso
Imagem: Victor Moriyama/Greenpeace

Medição por satélite

Segundo Humberto Barbosa, a medição de áreas com cicatriz é feita por satélites e levam em conta aspectos da vegetação. Ele explica que, dentro de uma floresta como a amazônica, essas marcas de queimadas são facilmente notadas por áreas mais escuras nos mapas.

"Além de medir as queimadas, é utilizado um outro indicador, que é a cobertura vegetal; ou seja, a área que queimou tem valor muito baixo de cobertura vegetal. Ela fica escura, preta. É esse indicador que, com a temperatura, vai determinar o foco de queimada", afirma.

Os dados do Inpe fazem parte do Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real). Esses levantamentos servem como um sistema de alerta para dar suporte a órgãos de fiscalização para controle de desmatamento degradação florestal.

Usado desde 2004, foi questionado recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro, que determinou que o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) publicasse edital para contratação de empresa privada para fazer o monitoramento por satélite similar.

Nos últimos 12 meses, foram emitidos 43.868 alertas sobre áreas desmatadas pelos órgãos de fiscalização ambiental.

Queimadas e desmatamento: a crise na Amazônia em números

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