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Afrouxamento monetário global dificulta nova "guerra cambial"

Anchalee Worrachate e Liz Capo McCormick

23/07/2019 12h58

(Bloomberg) -- As maiores economias do mundo parecem desejar uma moeda mais fraca diante dos crescentes riscos para o crescimento. Com isso, conseguir enfraquecer o dólar, o euro ou outra moeda de peso fica mais difícil.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem repetidamente pressionado o Federal Reserve para reduzir os juros, além de reclamar que o dólar americano está muito valorizado. Mas Trump não é o único. Apesar de não mencionar a taxa de câmbio explicitamente, o Banco Central Europeu tem tudo pronto para afrouxar sua política monetária, o que deve desvalorizar a moeda comum do bloco.

No Japão, o presidente do banco central, Haruhiko Kuroda, disse que a instituição "continuará persistentemente com um poderoso afrouxamento monetário" para acelerar a inflação. Na China, o banco central parece preparado para aumentar os estímulos e retomar o crescimento econômico.

Graças ao afrouxamento monetário sincronizado, quaisquer movimentos simultâneos para enfraquecer as moedas podem se anular mutuamente, tornando as atuais políticas uma perda de tempo.

"Todo mundo está puxando o mesmo pedaço de corda", disse Charles Diebel, chefe de renda fixa da Mediolanum Asset Management. "Se você tem o Fed e o BCE afrouxando, é apenas um jogo relativo. É muito difícil que a volatilidade das moedas permaneça elevada."

"Guerra cambial"

Apesar da postura dovish do Fed, o desempenho do dólar tem sido superior ao da maioria das moedas do Grupo dos 10 neste trimestre. O Banco da Coreia surpreendeu os mercados com um corte dos juros na semana passada, mas o won perdeu força apenas por um breve período. O Banco Nacional da Suíça continua afirmando que tem margem de manobra para reduzir a taxa de juros, mas o franco se mantém forte contra o euro.

Estrategistas de câmbio dizem que o risco de uma medida dos EUA para enfraquecer o dólar aumentou depois de o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, ter dito na semana passada que não há mudança na política cambial do país "por enquanto".

Bem-vindo à corrida rumo ao piso. Em 2010, quando os principais bancos centrais do mundo imprimiam dinheiro e cortavam os juros, o que desvaloriza suas moedas, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou o movimento de "guerra cambial". A diferença é que, na época, o dólar estava em queda, e outros países tentavam acompanhar a moeda americana.

Agora, o dólar está entre as moedas mais sobrevalorizadas do G-10, segundo um modelo do Banco de Compensações Internacionais sobre a taxa de câmbio real efetiva.

Repórteres da matéria original: Anchalee Worrachate em Londres, aworrachate@bloomberg.net;Liz Capo McCormick em N York, emccormick7@bloomberg.net

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