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Boris Johnson, a ambição de ser primeiro-ministro impulsionada pelo Brexit

2019-06-20T14:18:00

20/06/2019 14h18

Londres, 20 Jun 2019 (AFP) - O ex-chanceler britânico Boris Johnson, que avança como favorito para suceder a primera-ministra Theresa May, é um político controverso que incomoda uns e seduz outros, apresentando-se como salvador do Brexit para fazer esquecer seus erros e excessos.

Na quarta-feira garantiu uma indiscutível liderança obtendo os votos de 143 dos 313 deputados conservadores no terceiro turno das primárias. Depois irá disputar, com um segundo candidato, o apoio dos 160 mil membros do partido numa votação final em julho.

Numa aparente tentativa de atrair quem é contrário à União Europeia e moderados, nos últimos dias modificou sua linguagem.

Se primeiro disse não estar disposto a "erguer a bandeira branca" em Bruxelas e pedir um novo adiamento da saída -prevista inicialmente para 29 de março mas transferida para 31 de outubro-, determinado a tirar o Reino Unido da União Europeia "com ou sem acordo", num debate transmitido pela TV na terça-feira recusou se comprometer com Brexit na data determinada.

- O Brexit, "algo secundário"? -Conhecido pelo cabelo louro despenteado e suas incendiárias declarações, Johnson, de 55 anos, é um dos políticos mais populares do país mas também um dos mais questionados, que atrai críticas por sua retórica populista, sua escassa atenção aos detalhes e suas contradições.

Assim, no referendo de 2016 surgiu como um dos principais defensores do Brexit -e foi grande contribuinte para a vitória- mas apenas depois de fazer uma manobra incomum.

Colunista do jornal conservador The Daily Telegraph, havia preparado um artigo anunciando que apoiava a permanência no bloco e outro afirmando o contrário, o que alimentou a impressão de que sua decisão escondia um cálculo político que agora poderia dar resultados.

"Não creio que tenha uma opinião bem clara sobre o Brexit, mas tem uma opinião muit clara sobre si mesmo. a única coisa que Boris Johnson crê é em Boris Johnson", disse à AFP o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Pascal Lamy que conhece a família Johnson desde que Boris era um jovem que estudava na Escola Europeia de Bruxelas, onde seu pai foi funcionário e eurodeputado.

"Assim que chegar (ao poder), ele vai querer ficar. Eu acho que o Brexit será algo secundário na sua estratégia de permanecer como primeiro-ministro", acrescenta.

- O prefeito dos Jogos Olímpicos -Nascido em Nova York em 1964, Alexander Boris de Pfeffel Johnson, conhecido popularmente como "BoJo", queria desde cedo ser "rei do mundo", contou sua irmã Rachel.

Após se formar na Universidade de Oxford, em 1987, começou uma carreira de jornalista no The Times, de onde foi demitido no ano seguinte por ter inventado umas declarações.

Em seguida foi correspondente no Daily Telegraph em Bruxelas entre 1989 e 1994, favorecendo histórias que ridicularizavam as normas europeias. Algumas delas se tornaram mantras para os opositores do bloco europeu, como uma que garantia que a UE pretendia regular o tamanho das bananas ou encurtar os preservativos masculinos.

"Não inventava as histórias mas sempre exagerava", recorda Christian Spillmann, que foi correspondente da AFP em Bruxelas durante "os anos Boris".

Em Bruxelas, terminou o casamento com Allegra Mostyn-Owen, que conheceu em Oxford, e se aproximou de uma amiga de infância, Marina Wheeler, que virou sua esposa e mãe de seus quatro filhos.

O casal se separou em 2018 e Johnson se relaciona desde então com uma mulher de 31 anos, que segundo o Daily Telegraph é responsável por sua imagem mais moderna e alguns quilos menos.

Foi eleito deputado pela primeira vez em 2001, mas ganhou projeção a partir de 2008 ao assumir a prefeitura de Londres, um cargo com mais exposição pública do que responsabilidades, durante a realização dos Jogos Olímpicos de 2012 na capital britânica.

Na mente de todos ficou marcada uma imagem do prefeito Johnson, pendurado preso numa tirolesa agitando uma bandeira enquanto aguardava o resgate durante os Jogos de Londres, uma situação ridícula que graças a seu carisma conseguiu everter a seu favor.

Nomeado ministro das Relações Exteriores por May em julho de 2016, entregou o cargo dois anos depois por não concordar com uma estratégia para negociar o Brexit, que agora, se chegar ao poder, espera revolucionar.

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