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Disputa apertada entre junta militar e oposição nas legislativas da Tailândia

2019-03-25T07:40:00

25/03/2019 07h40

Bangcoc, 25 Mar 2019 (AFP) - Os tailandeses aguardavam nesta segunda-feira os resultados preliminares das eleições legislativas de domingo, depois que o partido da junta militar apareceu com uma pequena vantagem sobre a oposição.

Até o momento, um dia depois das primeiras eleições no país desde o golpe de Estado militar de 2014, os partidos evitaram cantar vitória.

"Não somos como os outros países, que formam governo no dia seguinte. Na Tailândia temos primeiro que verificar que a apuração é correta", afirmou Jarungwit Phumma, da Comissão Eleitoral.

Porém, várias acusações foram apresentadas a respeito de compra de votos e da parcialidade da Comissão Eleitoral, nomeada pela junta. Quase dois milhões de cédulas foram invalidadas em consequência de um sistema de voto que provocava confusão.

De acordo com os resultados parciais, com 94% dos votos apurados, o Palang Pracharat, partido da junta, recebeu mais de 7,6 milhões de votos (de um total de 50 milhões), enquanto o principal partido da oposição, o Pheu Thai, recebeu 7,2 milhões.

O Pheu Thai, partido do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, atualmente no exílio, venceu todas as eleições nacionais neste século. Por este motivo, o resultado do partido da junta provocou uma grande surpresa.

"Enquanto respirarmos, não abandonaremos", comentou Thaksin no Facebook.

O partido ainda pode sair vitorioso, graças às alianças e a um sistema eleitoral complexo, não proporcional ao número de votos registrados.

Mas o partido da junta tem uma vantagem. O Palang Pracharat precisa obter apenas 126 cadeiras das 500 na Câmara de Representantes para conservar o controle do país, porque os militares têm assegurado o apoio de 250 senadores, nomeados diretamente.

O Pheu Thai precisaria obter 376 cadeiras para formar o governo, apesar da hostilidade dos 250 senadores pró-junta.

A imprensa tailandesa destaca nesta segunda-feira a dificuldade dos vencedores dos dois lados para formar uma coalizão de governo, pois as novas regras eleitorais limitam a possibilidade de que apenas um partido conquiste sozinho a maioria ampla.

As regras foram criadas especialmente para limitar o êxito do Pheu Thai.

O jornal Khaosod prevê uma disputa acirrada entre os dois grandes partidos e afirma que o Partido Democrata (conservador) foi "extinto" e suplantado pelo partido criado pela junta.

Outra surpresa é o bom resultado do novo partido de oposição Future Forward, muito popular entre os jovens, com mais de 5,3 milhões de votos e que pode ser decisivo.

Há vários anos a Tailândia está profundamente dividida entre grupos favoráveis à influente família Shinawatra (chamados de "vermelhos") e uma elite conservadora alinhada com o exército (os "amarelos"), que se considera a única garantia da estabilidade e de proteção da monarquia.

No momento, a oposição mantém a discrição em suas acusações de possível fraude e parcialidade da Comissão Eleitoral.

Mas nas redes sociais, os eleitores demonstram sua irritação. Uma petição com mais de 400.000 assinaturas exige a dissolução da Comissão Eleitoral.

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