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Difícil volta às aulas na Tunísia, por medo da pandemia e de 'não entender nada'

26/09/2020 13h57

Tunes, 26 Set 2020 (AFP) - Neste novo ano escolar, Haider está preocupado. Por causa do coronavírus, esse estudante tunisiano não vai à escola há seis meses, não estudou em casa e agora tem "medo de não entender nada".

Em um país onde mais de 100.000 crianças abandonam a escola a cada ano, as rígidas medidas de confinamento aplicadas desde meados de março a final de junho enfraqueceram ainda mais o sistema educacional.

Impaciente para se reunir de novo com seus amigos, o adolescente de 13 anos prepara ansiosamente seu material escolar na véspera da volta às aulas.

"No 6º ano não estudamos bem", explica o aluno que frequenta uma escola pública no centro da Tunísia.

Quando as escolas fecharam em meados de março, o governo transmitiu aulas pela televisão e algumas escolas particulares ofereceram ensino a distância.

Mas, como Haider, muitos alunos se sentiram abandonados, sem muito para estudar, muitas vezes com as telas como seu principal passatempo.

"As crianças se acostumaram a ficar acordadas até tarde e brincar com tablets. Elas não estudavam", lamenta Maherzia Dridi, mãe de Haider.

Durante esse período de seis meses sem escola, "eles se esqueceram de muitas coisas. Esperamos que os professores (...) os ajudem a retomar na volta às aulas", acrescenta.

A maioria das escolas reabriu no dia 15 de setembro em clima de alegria e, ao mesmo tempo, preocupação.

Alunos de todas as idades vão às escolas da capital, a maioria com máscaras, e os funcionários medem a temperatura antes de colocar álcool gel em suas mãos, incentivando-os a ficar longe uns dos outros.

Nas escolas primárias, o Ministério da Educação decidiu levar os alunos apenas dois dias por semana, em grupos.

Alguns pais, cientes das limitações do sistema hospitalar do país, relutam em mandar seus filhos para a escola por medo de contaminação.

- Diálogo -A pandemia está fora do controle das autoridades de saúde e o número de casos confirmados se multiplicou por mais de dez desde a reabertura das fronteiras no verão. O número de mortos quase quadruplicou.

Alguns pais até pedem abertamente que os filhos fiquem em casa, o que configura um crime, já que na Tunísia a escola é obrigatória até os 16 anos.

Para quem vai à escola, as normas de proteção nem sempre são garantidas. É difícil "não abraçar meus amigos depois de tanto tempo", confessa Haider, que teme um novo fechamento de sua escola, apesar de o governo ter descartado um segundo confinamento.

Além disso, o retorno às aulas já é naturalmente complicado para as crianças mais vulneráveis. Em 2018-2019, 103 mil alunos abandonaram a escola, segundo o Ministério da Educação, ou seja, mais de 5% do total. A maioria desistiu no início do Ensino Fundamental.

A situação torna "o apoio familiar mais importante do que nunca. Os alunos que não o têm correm maior risco de abandono escolar, assim como as crianças de quem as famílias dependem para obter um complemento de rendimento" num contexto social degradado, explica Amel Cheikhourou, que dirige os programas da Unicef Tunísia para a juventude.

ak-ayj/cnp/vl/mab-mar/bn

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