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Banco da Inglaterra menos pessimista nas previsões para 2020

06/08/2020 08h25

Londres, 6 Ago 2020 (AFP) - O Banco da Inglaterra (BoE) publicou, nesta quinta-feira (6), previsões econômicas para 2020, menos pessimistas que as divulgadas em maio, e decidiu manter sua política monetária até uma prova clara de recuperação.

O BoE espera agora uma recessão de 9,5% para este ano, contra 14% da estimativa anterior, quando a pandemia de COVID-19 estava no pico na Europa.

A economia britânica mostrou sinais de recuperação nas últimas semanas, com um forte aumento das vendas no varejo e das atividades do setor privado.

A recuperação anunciada para 2021, no entanto, seria de 9%, contra 15% da previsão de maio.

Desta maneira, o Produto Interno Bruto (PIB) britânico não voltaria ao nível de 2019 antes de 2022, indicou o Banco da Inglaterra.

"Levando em consideração a incerteza inerente à evolução da pandemia, as projeções a médio prazo do Comitê (de Política Monetária) são menos informativas que normalmente", advertiu, no entanto, a instituição.

Nas últimas semanas, o BoE entrou em um debate sobre o ritmo da recuperação.

Alguns preveem uma recuperação em forma de V, ou seja tão abrupta como a queda.

Mas outros membros do BoE, como Sylvana Tenreyro, acreditam que embora a economia britânica possa ter uma recuperação rápida, não retornará aos níveis de antes da crise.

A curto prazo, o Comitê de Política Monetária prevê uma taxa de desemprego em alta, a 7,5% até o fim do ano.

"E uma inquietação considerável continua quanto às perspectivas de emprego após o fim dos sistemas de apoio", adverte.

O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, advertiu na quarta-feira que o fim abrupto do sistema de desemprego parcial poderia criar um choque.

O governo do primeiro-ministro Boris Johnson prevê a retirada no fim de outubro do sistema, que desde março tem o objetivo de proteger o emprego. Até 2 de agosto, 9,6 milhões de trabalhadores foram beneficiados.

O BoE, como era esperado, decidiu por unanimidade manter a política monetária, com a taxa básica de juros a 0,1%, nível historicamente baixo, e um importante programa de compras de títulos.

O valor do programa, que aumentou duas vezes durante a crise da COVID-19, alcança agora 745 bilhões de libras (980 bilhões de dólares).

Pela primeira vez, os diretores do BoE indicaram que não deve acontecer uma mudança na política monetária "sem evidências claras de progressos significativos na eliminação de capacidades (de produção) não utilizadas e à espera de atingir a meta de inflação de 2%".

O Banco da Inglaterra projeta uma inflação de 0,25% em 2020 e de 1,75% em 2021, contra 0,6% e 0,5% nas previsões de maio.

ktr/jbo/zm/mar/fp

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