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Desempregada relata 14h na fila do Caixa Tem e medo de cortarem sua luz

do UOL

Henrique Sales Barros

Do UOL, em São Paulo

12/07/2020 04h00

Danielle Gonçalves, 45, está há duas semanas sem conseguir usar o aplicativo Caixa Tem, utilizado pela Caixa para disponibilizar o dinheiro do auxílio de R$ 600 e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) emergencial.

Trabalhadores como ela relatam há dias problemas no aplicativo, como filas e dificuldade para consultar o saldo, pagar boletos e fazer compras. Na prática, o dinheiro está lá, mas eles não conseguem usá-lo. A Caixa atribui os problemas ao alto volume de acessos ao mesmo tempo, e diz que está trabalhando para resolvê-los.

Promotora de eventos desempregada, Danielle solicitou o auxílio em abril, mas só conseguiu receber a primeira parcela em 16 de junho. De lá para cá, tem enfrentado diversos problemas com o Caixa Tem.

Ela diz que já chegou a esperar das 9h às 23h para conseguir acessar o aplicativo e tentar pagar as contas de casa. Porém, não conseguiu, porque o Caixa Tem só aceita o pagamento de boletos até as 21h. Há contas que estão atrasadas há dois meses, relata.

Danielle vive com o filho e o marido em Santo André, na Grande São Paulo. Seu marido é chaveiro e chegou a fechar sua loja por causa da pandemia. Só voltou a trabalhar após a flexibilização da quarentena no estado de São Paulo. Ele também pediu o auxílio emergencial e tem passado pelos mesmos problemas.

"Nosso medo é virem cortar a luz e a água"

Já faz duas semanas que eu não consigo usar o Caixa Tem. Quando você entra no aplicativo e tenta consultar o saldo, não consegue. Vai pagar uma conta, dá erro. Vai gerar um cartão virtual, também não consegue.

O dinheiro está lá, mas você não consegue movimentá-lo, pagar uma conta. Estou com várias contas atrasadas, e meu marido também.

Nosso medo é virem cortar a luz, a água, sendo que sempre fomos corretos nisso. É uma bola de neve.

Não fui numa agência da Caixa tentar resolver o problema porque a fila é imensa, não vou me arriscar.

"Não tenho de onde tirar dinheiro"

Estávamos contando com essa ajuda para pagar as contas. Não tenho de onde tirar dinheiro. Você fica sem saber o que fazer, para onde correr.

Quando o governo disse que ia ajudar a gente, fiquei superfeliz. Falei: 'pelo menos as contas a gente vai poder deixar em ordem'. Mas, infelizmente não foi como prometido.

Fui diagnosticada com ansiedade por conta da pandemia, por não poder socializar e não poder ajudar meu marido financeiramente.

Agora estou melhorando, mas tenho umas recaídas de vez em quando.

Eu gostaria que o dinheiro voltasse a cair na conta própria da pessoa —ou, se cair no Caixa Tem, que pelo menos ele funcione, que a gente consiga movimentar o dinheiro."

"Já fiz inúmeras reclamações"

"No dia 20 de julho, vou receber o FGTS emergencial também no Caixa Tem, então já sei que vai ser a mesma dor de cabeça, com filas de espera imensas para conseguir entrar no aplicativo.

E sabe quando eu vou poder sacar esse dinheiro? Dia 5 de setembro. É revoltante. Eles ajudam, mas também não ajudam.

Você liga no 111 e eles não têm informação. Eu já fiz inúmeras reclamações no próprio aplicativo do Caixa Tem e no site da Caixa e eles simplesmente falam que o dinheiro está lá no aplicativo.

Com o perdão das palavras, é tipo um 'se vira, o dinheiro está lá, você é que tem que fazer acontecer'.

Eu ainda tenho alguma instrução, mas e quem não tem esse tipo de instrução? Tem gente que não sabe nem ligar o celular".

Caixa anunciou mudança essa semana

Na terça-feira (7), a Caixa anunciou mudanças no funcionamento do aplicativo para tentar reduzir as filas.

Agora, quem acessar o Caixa Tem pode permanecer com a sessão ativa por até 72 horas. A medida visa evitar que a pessoa tenha que ficar na fila de espera toda vez que tentar acessar o aplicativo, congestionando a sala virtual.

Danielle diz que o tempo de espera na fila diminuiu essa semana, mas ainda é necessário esperar por, no mínimo, uma hora para conseguir acessar o Caixa Tem. E, ao acessar o app, os demais problemas persistem.

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