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90% dos recursos do fundo para ciência estão bloqueados, mesmo com pandemia

Para Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, o investimento pode ser a solução para a crise causada pelo novo coronavírus - Francisco Stuckert/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Para Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, o investimento pode ser a solução para a crise causada pelo novo coronavírus Imagem: Francisco Stuckert/Fotoarena/Estadão Conteúdo
do UOL

Do UOL, em São Paulo

24/06/2020 15h54Atualizada em 24/06/2020 17h52

O ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, disse hoje que 90% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico (FNDTC) seguem bloqueados pelo governo federal, mesmo com a pandemia do novo coronavírus e, consequentemente, a necessidade de liberação desse dinheiro.

Segundo Pontes, o Brasil tem cientistas de categoria internacional e capacidade de pesquisa para vencer a covid-19, mas são necessários mais recursos e estabilidade de orçamento. O ministério tem tido o orçamento reduzido desde 2013, e a liberação de recursos do FNDTC — fundo formado pela arrecadação de impostos de empresas — poderia resolver o problema.

"Todos os ministérios sofrem com a falta de recursos, mas o investimento em ciência e tecnologia é essencial para o desenvolvimento do País e pode ser solução para a crise", destacou o ministro durante sua participação na comissão externa da Câmara dos Deputados que trata de ações contra a covid-19.

Pontes citou como exemplo Israel, que tem 4% do PIB (Produto Interno Bruto) aplicado no setor: "O Brasil precisa seguir essa linha". Segundo o ministro, isso será essencial também para enfrentar as próximas pandemias — apontadas como certas pelos cientistas.

Hidroxicloroquina

Deputados como Pedro Westphalen (PP-RS) e Carla Dickson (Pros-RN) questionaram Pontes sobre os estudos envolvendo os medicamentos ivermectina e hidroxicloroquina em pacientes com covid-19. O ministro afirmou que já foi aprovado o início dos testes clínicos com as duas substâncias, mas que ele está "focando esforços" na nitazoxanida (Annita).

O deputado Jorge Solla (PT-BA) criticou a manutenção do protocolo do Ministério da Saúde de uso da hidroxicloroquina, após a interrupção dos testes com o medicamento por parte da OMS (Organização Mundial de Saúde). A deputada Soraya Manato (PSL-ES), por sua vez, defendeu o uso do medicamento, afirmando que foi utilizado com sucesso por diversos médicos.

Vale lembrar que a hidroxicloroquina não tem eficácia comprovada e não é indicada pela OMS para o tratamento da covid-19. Sua adoção no Brasil, inclusive, motivou a saída do ex-ministro Nelson Teich, antecessor do general Eduardo Pazuello, que agora ocupa o cargo interinamente.

Vacina

Marcos Pontes também citou o início dos testes em voluntários brasileiros da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, contra a covid-19, que teve início no último fim de semana na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Segundo ele, 2 mil participantes vão ser vacinados inicialmente. A vacina inglesa é a que está em estágio de desenvolvimento mais avançado no mundo.

O ministro salientou ainda que o Brasil participa, juntamente com 44 países, de um programa acelerador de vacinas coordenado pela OMS. Para Pontes, essa participação é importante para que o Brasil possa participar dos resultados que vierem a ser obtidos por quaisquer desses países.

*Com Agência Câmara de Notícias

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