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Israelenses buscam origens na era da Inquisição para obter passaportes portugueses

09/12/2019 13h01

Por Dan Williams e Catarina Demony

JERUSALÉM/LISBOA (Reuters) - Danny Roup, apresentador de boletins climáticos célebre em Israel, não necessariamente vê nuvens no horizonte geopolítico, mas achou que valia a pena vasculhar suas raízes familiares de séculos para conseguir um segundo passaporte, português.

Roup é um dos milhares de israelenses que aceitaram a cidadania oferecida por Portugal a descendentes de judeus sefarditas que foram expulsos da Península Ibérica durante a Inquisição medieval.

Alguns dos que estão requerendo o passaporte querem se mudar para Portugal, ou usá-lo como porta de entrada para oportunidades de estudo e trabalho na União Europeia. Outros buscam um descanso do turbulento Oriente Médio.

"Você nunca sabe o que acontecerá nesta região nos próximos 20, 30, 40, 50, 100 anos. Então é sempre bom ter outro passaporte, especialmente se for um passaporte europeu", disse Roup, de 54 anos.

Cerca de 300 mil judeus moravam na Espanha quando, em 1492, os monarcas Isabel e Fernando ordenaram que eles e os muçulmanos do país se convertessem ao catolicismo ou partissem. Dezenas de milhares fugiram para Portugal, onde acabaram sendo perseguidos ou expulsos em 1496.

Portugal, que vem testemunhando um aumento de pedidos desde que uma oferta semelhante da Espanha a judeus sefarditas terminou em outubro, descreve sua política em termos de retificação.

"Nossa história é muito importante, mas com certas sombras – e uma das sombras mais relevantes foi forçar os judeus a abandonarem o país ou se converter ao cristianismo", disse o ministro das Relações Exteriores português, Augusto Santos Silva, à Reuters.

"Perdemos muito da nossa influência judaica, e estamos tentando recuperar esta influência."

O pedido de cidadania demora cerca de dois anos, e cerca de 20% são aprovados.

Especialistas de um dos centros judaicos de Portugal, Lisboa ou Porto, analisam as genealogias dos requerentes e procuram indícios de interesse pela cultura sefardita --por exemplo, conhecimento do dialeto judaico-espanhol ladino.

Radicado em Lisboa, o advogado de imigração Renato Martins disse que muitos de seus clientes sefarditas veem o "potencial de investimento" de um passaporte português, especialmente no setor imobiliário.

Silva disse que a maioria dos 44 mil pedidos recebidos desde que Portugal começou a oferta em 2015 veio de Israel.

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