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Bandidos usaram caminhão de lixo para entrar no Aeroporto de Viracopos

do UOL

Do UOL, em São Paulo

20/10/2019 14h57

Resumo da notícia

  • Criminosos que assaltaram o aeroporto internacional de Viracopos usaram um caminhão de lixo para acessar o local
  • Dois criminosos estavam na cabine do veículo, enquanto outros dois estavam escondidos em um fundo falso
  • O assalto deixou três suspeitos mortos e dois vigilantes e um policial baleados, segundo a PM (Polícia Militar)
  • Na fuga, um dos suspeitos invadiu uma casa e fez uma mulher e uma criança de reféns
  • Ele foi morto por um sniper e as duas foram liberadas. A mulher também foi baleada

A ação de um grupo de criminosos que assaltou o aeroporto internacional de Viracopos, em Campinas (99 km de SP), na última quinta-feira (17), contou com o uso de um caminhão de lixo, pelo qual os bandidos conseguiram entrar no local. De acordo com fontes ouvidas pelo UOL, dois criminosos estavam na cabine do veículo, enquanto pelo menos outros dois estavam escondidos em um fundo falso.

No dia do crime, a polícia já havia relatado o uso de um caminhão de lixo para a fuga dos bandidos, mas não havia ficado claro se o caminhão fazia parte do planejamento, nem em que momento ele começou a ser usado pelos bandidos. A reportagem questionou o aeroporto e a Polícia Civil de São Paulo sobre essas informações, mas ainda não teve resposta.

O assalto deixou três suspeitos mortos e dois vigilantes e um policial baleados, segundo a PM (Polícia Militar). Na fuga, um dos suspeitos invadiu uma casa e fez uma mulher, de 37 anos, e uma criança, de 10 meses, como reféns. Ele foi morto por um sniper e as duas foram liberadas. A mulher também foi baleada.

Ao todo, a quadrilha tinha 12 criminosos. Os outros nove são procurados. Eles interceptaram, no pátio interno do terminal de cargas do aeroporto, um contêiner que carregava malotes de dinheiro e que iria ser levado para um avião da transportadora UPS.

Doria homenageia PMs, e Ouvidoria e Corregedoria apuram ação em Campinas

Os dois órgãos fiscalizadores da Polícia Militar de São Paulo —a Ouvidoria das polícias e a Corregedoria da PM— apuram se houve algum tipo de excesso na ação policial que terminou com três criminosos mortos.

A ação dos órgãos da Ouvidoria e da Corregedoria é padrão e costuma ocorrer sempre que há morte decorrente de intervenção policial. A partir de laudos e de investigações, a Ouvidoria e a Corregedoria podem apontar se houve ou não ilegalidade nas ações policiais.

"Vamos instaurar procedimento para acompanhar, sim. Foi uma ocorrência complexa de enfrentamento a uma quadrilha organizada. Vou solicitar os laudos para, a partir deles, me manifestar se houve ou não ilegalidade", afirmou Benedito Mariano, ouvidor das polícias.

O corregedor da PM, coronel Marcelino Fernandes, confirmou que o órgão vai apurar as ocorrências de Campinas. "Assim como todas as MDIPs [morte decorrente de intervenção policial] de até 100 km de distância da capital, além de algumas que ultrapassam essa quilometragem pela complexidade", disse.

Bandidos foram para o cemitério, diz Doria ao elogiar PMs em Campinas

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O governador João Doria (PSDB) foi até Campinas, no fim da tarde, com o secretário da Segurança Pública, general João Camilo Pires de Campos, e o comandante da corporação, coronel Marcelo Vieira Salles, para parabenizar os PMs.

Doria foi à sede do 1º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) "para cumprimentar os policiais que participaram da ação contra criminosos que realizaram um assalto dentro do aeroporto de Viracopos hoje pela manhã, seguido de sequestro", informou a assessoria de imprensa do governador.

"A equipe do Baep de Campinas, e de outros batalhões, deu uma demonstração clara de eficiência, precisão, destemor, coragem, atitude e ação. Por isso, tomei a iniciativa de vir aqui cumprimentar vocês", afirmou Doria no batalhão.

Os bandidos estão mortos. Os inocentes estão vivos. Quem reagiu perdeu.
Governador João Doria

Ainda de acordo com Doria, "entre a vida do bandido e a vida do policial, o governo de São Paulo e seu governador fica com a vida do policial. E quem vai para o cemitério é o bandido".

A caminho de Campinas, o comandante da PM afirmou ao UOL que "foi uma ocorrência gravíssima e com infratores da lei fortemente armados, porém houve resposta à altura da gravidade. Enfrentar a polícia é um risco e um risco mal calculado".

Esta não é a primeira vez que Doria elogia PMs envolvidos em ocorrências com mortes. Em uma ação de abril deste ano, em que policiais militares mataram 11 suspeitos de participar de uma tentativa de assalto a banco na cidade de Guararema, o governador homenageou os PMs envolvidos na ocorrência em um evento no Palácio dos Bandeirantes.

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