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PIB da Argentina recua 0,3% no 2º trimestre; desemprego volta a crescer

19/09/2019 20h22

Buenos Aires, 19 set (EFE).- O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina recuou 0,3% no segundo trimestre de 2019 em relação aos três primeiros do ano, notícia que veio acompanhada de uma nova alta no desemprego, que passou de 10,1% para 10,6%.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Apesar da queda registrada ante ao primeiro trimestre do ano, a economia da Argentina avançou 0,6% em relação ao período entre abril e junho de 2018. Considerando a mesma base de comparação, porém, a queda nos três primeiros meses do ano foi de 5,8%.

Os resultados são anteriores ao agravamento da crise financeira que o país viveu a partir de agosto, provocada pela derrota do presidente do país, Mauricio Macri, nas eleições primárias. Candidato à reeleição pela coalizão Juntos pela Mudança, ele foi superado em 15 pontos percentuais pelo peronista Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice.

Segundo o Indec, o desemprego, que atingiu a casa dos dois dígitos pela primeira vez desde 2006 no primeiro trimestre, voltou a crescer entre abril e junho, chegando agora a 10,6% da população ativa, o equivalente a mais de 2 milhões de pessoas. Homens de até 29 anos são o grupo mais afetado pela falta de trabalho (2,8%), seguidos pelas mulheres da mesma faixa etária (2,5%).

A crise começou em abril de 2018, após vários trimestres consecutivos de expansão do PIB. O peso sofreu forte desvalorização frente ao dólar, provocada pela fuga de capitais dos países emergentes para os Estados Unidos. Além disso, o país foi atingido uma forte seca que afetou a produção agropecuária, principal motor de exportações argentino.

Desde então, o PIB da Argentina vem registrando uma sequência de quedas na comparação com os três meses anteriores. A desvalorização cambial se refletiu em vários setores da economia, especialmente sobre a inflação, que fechou 2018 em 47,6%, número mais alto desde 1991.

Pressionado, Macri foi obrigado a pedir um empréstimo de quase US$ 57 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI), adotando um programa de rigidez fiscal. A economia chegou a esboçar uma reação em abril deste ano, sendo acompanhada por uma desaceleração do crescimento da inflação, mas os resultados das primárias reverteram todo o trabalho feito até então.

A desconfiança dos investidores em Fernández e a consequente fuga de dólares após as primárias obrigaram Macri a não só tomar medidas para conter os efeitos do agravamento da crise sobre a inflação, mas também a anunciar restrições nas operações cambiais e a concordar com a prorrogação do estado de emergência alimentícia no país, que agora irá até 2022.

O governo de Macri também está renegociando os prazos de pagamento de diferentes tipos de dívida com credores privados, entre eles o próprio FMI. EFE

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