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Guerra comercial atinge demanda por aço inoxidável na China

Bloomberg News

26/06/2019 13h31

(Bloomberg) -- Usinas de aço inoxidável da China já sentem o impacto da prolongada disputa comercial com os Estados Unidos.

A demanda pelo metal usado por diversos setores, como eletrodomésticos e construção, foi atingida pela guerra comercial, disse Ni Yubing, diretor de vendas da Posco Stainless Steel, em entrevista na semana passada. Esse fator, juntamente com os maiores custos do ferro-gusa de níquel, reduziu as margens, segundo Ni.

Preços em queda, custos mais altos de matérias-primas e piores perspectivas de crescimento criam obstáculos para o segmento de aço inoxidável da China, que enfrenta excesso de capacidade em um setor siderúrgico já inchado. Os preços do aço inoxidável caíram quase 10% desde 10 de outubro de 2018, em meio aos estoques elevados, enquanto as cotações do ferro-gusa de níquel, uma alternativa de teor mais baixo do que o níquel para fabricar o aço inoxidável, aumentaram este ano em linha com os ganhos do níquel refinado em Londres.

"As encomendas costumavam superar nossa capacidade, mas agora não temos pedidos extras e não podemos ser exigentes", disse Ni, acrescentando que o volume de vendas da usina ainda não foi afetado. A unidade na província chinesa de Jiangsu, com capacidade anual de 1 milhão de toneladas, é uma joint venture entre a siderúrgica sul-coreana Posco e a chinesa Shagang.

A produção de aço inoxidável bruto da China subiu 3,6%, para 26,7 milhões de toneladas no ano passado, o ritmo mais lento desde 2015, segundo a China Special Steel Enterprises Association. A utilização total do setor estava em de cerca de 70% da capacidade em 2018, segundo dados divulgados em abril pela Shanxi Taigang Stainless Steel, um rival de maior porte com 4,5 milhões de toneladas de capacidade anual.

As margens da divisão de aço inoxidável da Jiuquan Iron and Steel Group também encolheram nos últimos meses devido às restrições comerciais dos EUA, que afetaram a exportação de produtos como utensílios de cozinha e artigos de banho, e à desaceleração nas vendas de automóveis, segundo o gerente geral da unidade, Jiang Suiqiang. A usina, que produz cerca de 1 milhão de toneladas por ano, está aumentando a produção de itens com baixo teor de níquel para cortar custos, disse Jiang.

A demanda aparente de aço inoxidável deve diminuir para 31% até 2025, depois de ter dobrado em oito anos, para 21,3 milhões de toneladas em 2018, segundo o Instituto de Planejamento e Pesquisa da Indústria Metalúrgica da China.

To contact Bloomberg News staff for this story: Winnie Zhu em Xangai, wzhu4@bloomberg.net

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