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Diretor da OMC considera entrada na OCDE como importante para o Brasil

2019-03-21T14:35:00

21/03/2019 14h35

São Paulo, 21 mar (EFE).- O diretor-geral da Organização Mundial de Comércio, Roberto Azevêdo, afirmou nesta quinta-feira que uma possível entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) seria muito importante para o país, já que muitas das negociações mundiais são definidas no bloco.

"O Brasil dentro da OCDE passa a ser parte das discussões embrionárias de vários acordos, de várias negociações, no âmbito da economia global", destacou Azevêdo em um evento organizado em São Paulo pela Câmara Internacional de Comércio (ICC).

Para o diplomata, a perda do status preferencial e diferenciado que o Brasil tem na OMC por ser um país em desenvolvimento seria pouco relevante em relação ao que representaria uma adesão à OCDE.

Além disso, Azevêdo destacou que a OCDE não só confere um "selo de qualidade" aos países que fazem parte dela, mas também é o palco no qual a agenda mundial é definida.

"Um membro da OCDE tem a possibilidade de começar a dar os contornos da agenda mundial, o que é absolutamente fundamental", disse Azevêdo a jornalistas depois do evento.

O diretor-geral da OMC também citou outros benefícios da adesão, como a participação nas discussões sobre políticas públicas e práticas comerciais mais convenientes, além do acesso a estudo sobre as melhores soluções para enfrentar os desafios econômicos modernos.

Azevêdo destacou que o governo de Jair Bolsonaro é quem deve responder sobre as consequências de renunciar ao status preferencial de país em desenvolvimento na OMC, condição que dá ao país benefícios na hora de negociar com o restante do mundo.

"Não entendi que o Brasil está renunciando ao status de país em desenvolvimento, mas vai usar alguns espaços nessa questão. Mas essa pergunta tem que ser feita ao governo", disse.

No encontro da ICC, que reuniu autoridades diversos países, o diretor admitiu que a economia global está atravessando um momento de crise, mas defendeu que a OMC tem um "papel fundamental" na preservação e na estabilidade do ambiente mundial.

"Sem a OMC, teríamos a lei da selva, na qual todos perdem, inclusive aqueles que acham que estão no topo da cadeia alimentar", analisou o diplomata brasileiro.

O diretor da OMC também fez uma avaliação sobre as polêmicas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaça retirar o país da OMC e de outras organizações internacionais caso não haja mudanças que beneficiem os americanos.

"Há um pragmatismo muito grande por trás disso. Eles mantêm uma estratégia que consiste desestabilizar o sistema atual para criar outro. Querem transformar o sistema multilateral em outro, que seja mais compatível com a realidade do mundo atual", comentou.

O secretário de Comércio Internacional do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, também participou do evento e defendeu que o Brasil deve se adaptar ao tipo de globalização que está em vigor.

Troyjo disse estar otimista com as "extraordinárias possibilidades" que o Brasil pode ter nos próximos anos graças às políticas liberais promovidas pelo governo de Bolsonaro.

"Temos (no governo) um elemento de coesão e de coordenação, compartilhamos dos mesmos diagnósticos e previsões, que oferecem possibilidades extraordinárias ao Brasil", destacou. EFE

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