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Libertação de executiva da Huawei não muda dinâmica preocupante de escalada entre EUA e China

27/09/2021 07h18

A liberação de Meng Wanzhou para que ela retornasse à China representou um marco em uma das primeiras crises entre Estados Unidos e China, envolvendo, naturalmente, o Canadá. Em uma disputa que durou três anos, a libertação de Meng veio junto com a de dois canadenses, Michael Kovrig e Michael Spavor, que haviam sido presos na China, sob alegação de espionagem. 

A liberação de Meng Wanzhou para que ela retornasse à China representou um marco em uma das primeiras crises entre Estados Unidos e China, envolvendo, naturalmente, o Canadá. Em uma disputa que durou três anos, a libertação de Meng veio junto com a de dois canadenses, Michael Kovrig e Michael Spavor, que haviam sido presos na China, sob alegação de espionagem. 

Thiago de Aragão, analista político

Por mais que a detenção de Meng em Vancouver tenha ocorrido por uma decisão americana, com colaboração canadense, a prisão dos canadenses colocou uma imensa pressão em cima do primeiro-ministro Justin Trudeau. 

O ponto central da libertação de Meng foi o acordo com a Procuradoria americana, no qual a herdeira do grupo de telecomunicações Huawei admitiu que violou sanções de vendas para o Irã. Essa confissão teve um efeito meramente simbólico, pois ela acabou sendo libertada e a margem do que os EUA podem fazer a partir de agora é limitada. É importante ressaltar a pressão feita pelo governo canadense para que o caso tivesse uma conclusão rápida, já que Trudeau estava sendo emparedado pela opinião pública, aliados e adversários políticos para dar um desfecho positivo para os canadenses presos na China. 

Por mais que este caso seja um exemplo de convergência entre EUA e China, nada muda nas tensões vividas pelos dois países. A China considera uma profunda humilhação a prisão de Meng e, mesmo com a liberação, a percepção em relação aos EUA piorou. Para Pequim, a prisão foi uma forma de expor publicamente uma cidadã chinesa e levar o país ao constrangimento. 

Pequim e o Aukus

Mesmo com a boa notícia para Pequim, a semana que passou foi conturbada para a China. O acordo de submarinos entre EUA, Reino Unido e Austrália (Aukus) obrigou Pequim a remodelar sua estratégia naval para a região. Além disso, a crise do grupo imobiliário Evergrande e a crise energética fizeram com que a libertação de Meng fosse apenas uma gota em um oceano de dificuldades pelas quais a China atravessa. 

O "capítulo Meng" foi um dos grandes marcos do início das recentes tensões entre China e EUA. Tantos atritos aconteceram de lá para cá, que nesses três anos o caso acabou sendo quase esquecido. Foi solucionado, mas não muda em nada a dinâmica preocupante dessa escalada que vemos entre as duas superpotências.

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