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15 dias

Procurador nos EUA diz que George Floyd 'pediu ajuda com seu último suspiro'

Mural em homenagem a George Floyd  - Octavio Jones/Reuters
Mural em homenagem a George Floyd Imagem: Octavio Jones/Reuters

19/04/2021 16h52

Minneapolis, Estados Unidos, 19 Abr 2021 (AFP) - George Floyd "pediu ajuda com seu último suspiro" e não era uma ameaça para ninguém, disse o procurador Steve Schleicher nesta segunda-feira (19) ao encerrar o julgamento do ex-policial Derek Chauvin, acusado de matar esse homem negro.

"George Floyd implorou até não conseguir mais falar", afirmou Schleicher ao júri em um tribunal em Minneapolis, no estado norte-americano de Minnesota. "Tudo que era preciso era um pouco de compaixão e não demonstraram nenhuma naquele dia", acrescentou.

"Ele pediu ajuda com seu último suspiro, mas o policial não ajudou", declarou Schleicher. "Não seguiu o treinamento, não seguiu as regras de uso da força do departamento, não fez RCP", explicou.

De acordo com Schleicher, "Floyd não era uma ameaça para ninguém, não estava tentando machucar ninguém".

Chauvin, um homem branco de 45 anos, se manteve ajoelhado sobre o pescoço de Floyd por mais de nove minutos enquanto o afro-americano de 46 anos estava deitado de bruços e algemado no chão, segundo imagens filmadas durante a prisão.

O ex-agente é acusado de assassinato e homicídio culposo pela morte de Floyd em 25 de maio de 2020, em um episódio que gerou enormes protestos nos Estados Unidos e no mundo contra a injustiça racial e a brutalidade policial.

Chauvin, que trabalhava havia 19 anos do Departamento de Polícia de Minneapolis, pode pegar até 40 anos de prisão se for condenado pela acusação mais grave: assassinato em segundo grau.

"O réu ficou em cima (de Floyd) por nove minutos e 29 segundos", disse Schleicher, "depois que ele já não tinha mais pulso". O procurador instou o júri a "confiar em seus olhos", em referência ao vídeo da prisão de Floyd.

"Usem o bom senso", pediu ele. "Viram o que viram." "Se não fosse pelas ações do réu, pressionando-o para baixo, George Floyd teria morrido naquele dia?", perguntou.

- "Que os agentes sejam responsabilizados" -O julgamento de Chauvin coincidiu com o aumento da tensão devido a duas outras mortes causadas pela polícia que tiveram uma grande repercussão.

Daunte Wright, um jovem negro de 20 anos, foi morto em um subúrbio de Minneapolis em 11 de abril nas mãos de uma policial branca que aparentemente confundiu sua pistola com seu taser; e um menino de 13 anos foi morto pela polícia em Chicago.

A morte de Wright gerou várias noites de protestos em Minneapolis e, antes do veredicto no caso Chauvin, tropas da Guarda Nacional foram enviadas para esta cidade, onde muitas vitrines foram tapadas por precaução.

Antes dos argumentos finais, Ben Crump, advogado das famílias Floyd e Wright, disse que esperava que Chauvin "fosse considerado responsável criminalmente pela morte de George Floyd".

"Matar pessoas negras desarmadas é inaceitável", defendeu Crump à ABC News no domingo. "Temos que enviar essa mensagem para a polícia. Fazer com que os agentes sejam responsabilizados."

Chauvin comparecia ao julgamento todos os dias de terno e fazia anotações em um bloco amarelo. Ele falou apenas uma vez e sem a presença dos jurados. Invocou seu direito de não testemunhar em sua própria defesa.

Grande parte da fase de evidências do julgamento girou em torno de se o ex-policial havia feito um uso razoável ou excessivo da força.

Um médico forense aposentado chamado a depor pela defesa indicou que Floyd morreu de parada cardíaca causada por uma doença cardíaca e pelas drogas ilegais fentanil e metanfetamina encontradas em seu corpo.

Já os especialistas médicos chamados pela acusação disseram que Floyd morreu de hipóxia, ou falta de oxigênio, causada pela pressão do joelho de Chauvin em seu pescoço, e que as drogas não foram um fator decisivo.

A defesa também chamou um policial aposentado que afirmou que o uso da força de Chauvin contra Floyd era "justificado".

Por outro lado, segundo os agentes que testemunharam pela acusação, incluindo o chefe da polícia de Minneapolis, o uso da força foi excessivo e desnecessário.

O juiz Peter Cahill ordenou que os 12 jurados se reunissem a sós para deliberar.

Três outros ex-policiais envolvidos na prisão de Floyd, Tou Thao, Thomas Lane e J. Alexander Kueng, também enfrentam acusações e serão julgados separadamente até o fim do ano.

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