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Covid-19: presidente filipino Rodrigo Duterte se oferece como cobaia para testar vacina russa

12/08/2020 10h49

O presidente filipino, Rodrigo Duterte, se ofereceu como voluntário para testar a nova vacina russa contra a Covid-19. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (12), um dia após Vladimir Putin informar que a Rússia teria desenvolvido um método de prevenção capaz de provocar uma imunidade duradoura contra o vírus.  

O presidente filipino, Rodrigo Duterte, se ofereceu como voluntário para testar a nova vacina russa contra a Covid-19. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (12), um dia após Vladimir Putin informar que a Rússia teria desenvolvido um método de prevenção capaz de provocar uma imunidade duradoura contra o vírus.  

Duterte afirmou que tem "grande confiança" nos esforços da Rússia para acabar com a pandemia. "Acredito que a vacina produzida é realmente boa para a humanidade", declarou o presidente filipino. "Serei o primeiro a testá-la", completou.

Conhecido por suas polêmicas, o chefe de Estado é frequentemente comparado ao líder norte-americano Donald Trump ou ao brasileiro Jair Bolsonaro em razão de suas declarações controversas. Por essa razão, a sua decisão foi vista com ceticismo em um primeiro momento.

No entanto, o porta-voz de Duterte, Harry Roque, explicou que o presidente não estava brincando. "Ele é velho. Pode sacrificar sua vida pelo povo filipino", disse o representante do governo.

As autoridades de saúde das Filipinas já anunciaram uma reunião com representantes do centro russo Gamaleya, que desenvolveu a vacina.

Com 107 milhões de habitantes, o país dirigido por Duterte é o segundo mais afetado pela pandemia do Sudeste Asiático, atrás apenas da Indonésia. A Covid-19 já deixou 143.000 infectados e mais de 2.400 mortos nas Filipinas e, na semana passada, mais de 27 milhões de pessoas retornaram ao confinamento, especialmente em Manila e nas regiões próximas à capital.

Vacina russa é contestada

O anúncio de que a Rússia teria desenvolvido a primeira vacina contra a Covid-19 divide a comunidade científica. Putin afirmou que uma de suas filhas foi vacinada com a denominada Sputnik V - em referência ao primeiro satélite que a União Soviética colocou em órbita em plena Guerra Fria -, mas pesquisadores ocidentais expressaram ceticismo a respeito da velocidade de desenvolvimento do projeto.

Entrevistado pela RFI, o médico sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), Gonzalo Vecina Neto, disse que a vacina de Putin dificilmente será aceira fora da Rússia. "Nós sabemos qual o risco de se morrer de Covid, mas não sabemos qual o risco de se morrer de uma vacina cujo grau de segurança e eficácia desconhecemos", disse.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também reagiu de maneira prudente e recordou que a "pré-qualificação" e a homologação de uma vacina exigem um procedimento "rigoroso".

(Com informações da AFP)

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