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Bolsonaro critica Globo após 100 mil mortes: 'Festejou como final da Copa'

Presidente Jair Bolsonaro em Brasília -
Presidente Jair Bolsonaro em Brasília
do UOL

Do UOL, em São Paulo*

09/08/2020 16h38

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou hoje a Rede Globo após editorial de ontem do "Jornal Nacional", no dia em que o Brasil passou da marca de 100 mil mortes por coronavírus. O telejornal culpou Bolsonaro por partes dos óbitos e relembrou algumas declarações dele desde o início da pandemia, como o "e daí?" e "não sou coveiro".

No Twitter, mesmo lamentando as mortes e criticando o isolamento social novamente, o presidente afirmou, sem citar nomes, que a rede de televisão "só espalhou o pânico na população e a discórdia entre os Poderes". Além disso, afirmou que a Globo "desdenhou, debochou e desestimulou" o uso da hidroxicloroquina — que não tem comprovação científica para a doença, mas que segue sendo defendida por ele.

Segundo o presidente, mesmo que nenhum estudo indique sua eficácia, o medicamento "salvou a minha vida e, como relatos, a de milhares de brasileiros". Bolsonaro escreveu também no Twitter que a "desinformação mata mais do que o vírus" e mandou recado:

"O tempo e a ciência nos mostrarão que o uso político da covid por essa TV trouxe-nos mortes que poderiam ter sido evitadas."

Por fim, o chefe do Executivo afirmou que a Globo "festejou" a marca de 100 mil mortes — de forma "covarde e desrespeitosa" — como uma final de Copa do Mundo e disse que a emissora está com saudades dos governantes que a colocava "como prioridade ao fazer o Orçamento da União, mesmo sugando recursos da saúde e educação".

Bolsonaro lamenta mortes

Na thread da rede social, presidente lamentou também cada morte, "seja qual for a sua causa", e apontou o isolamento social como possível causa de outras mortes no País, na contramão do que dizem médicos, cientistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Lamentamos cada morte, seja qual for a sua causa, como a dos 3 bravos policiais militares executados em São Paulo", afirmou Bolsonaro.O presidente da República fez referência ao caso de um sargento e dois soldados da Polícia Militar mortos durante uma troca de tiros na região do Butantã, na zona oeste de São Paulo, na manhã de ontem (8).

Já para justificar o argumento contra o isolamento, Bolsonaro compartilhou um artigo publicado no tabloide britânico Daily Mail. "Conclui-se que o lockdown matou 2 pessoas para cada 3 de covid no Reino Unido. No Brasil, mesmo ainda sem dados oficiais, os números não seriam muito diferentes", escreveu.

O número citado no artigo compartilhado por Bolsonaro, porém, diz respeito apenas ao período de 23 de março a 1º de maio e faz relação às mortes por causas diversas após pessoas não irem ao pronto-socorro. Em ocasiões anteriores, Bolsonaro havia falado que os efeitos da quarentena e a crise econômica matariam pessoas, e não apenas o vírus.

O comentário de Bolsonaro vai na contramão de especialistas e autoridades sanitárias. Como mostrou o Estadão ontem, duas a cada três cidades brasileiras já perderam alguém para a covid-19. Pesquisas recentes mostraram, inclusive, que o número de mortes seria muito maior se não houvesse isolamento social.

JN culpa Bolsonaro e questiona se ele seguiu a Constituição

O "Jornal Nacional" começou a edição de ontem com uma crítica direta ao presidente Jair Bolsonaro, no dia em que o Brasil atingiu a marca de 100 mil mortes por covid-19.

Os âncoras William Bonner e Renata Vasconcellos lembraram que o país está há 12 semanas sem ministro titular da Saúde. E apontou que os ministros anteriores — que eram médicos — deixaram o cargo porque pretendiam seguir as orientações da ciência, o que Bolsonaro não concordou.

Na sequência, Bonner relembrou algumas declarações do chefe do Executivo sobre as mortes em decorrência da doença desde o início da pandemia. "Primeiro, o presidente menosprezou a doença e a chamou de 'gripezinha'. Depois, Bolsonaro disse que não era coveiro. Disse duas vezes", lembrou o apresentador.

"Quando os óbitos chegaram a 5 mil, a resposta dele foi: E daí?'. Agora o presidente repete que a pandemia é uma chuva e que todos vão se molhar. Que a morte é o destino de todos nós e que temos que enfrentar a doença, como se fosse uma questão de coragem", completou.

O telejornal da Globo também resgatou que o presidente não apoiou o isolamento social, desde o início da pandemia, indo "na contramão do bom senso dos governadores que a defendiam", explicou Renata.

Com isso, segundo o "Jornal Nacional", o resultado foi confusão e perplexidade dos cidadãos que não sabiam no que acreditar.

Bonner ainda culpou prefeitos e governadores — além de Bolsonaro — pelas filas em leitos de UTI, que não foram comprados a tempo e que foram insuficientes para todos.

"Ou porque a falta de isolamento social deixou de achatar a curva de contaminados e sobrecarregou o sistema de saúde?", acrescentou o apresentador.

A edição especial teve como objetivo apontar que está na Constituição do Brasil que é dever dos governantes implementar políticas que visem reduzir o risco de doenças. E que isso será motivo para análises futuras sobre a situação atual do país.

"A pergunta que se impõe é: o presidente da República cumpriu esse dever? Entre os governadores e prefeitos, quem cumpriu e quem não cumpriu [seu dever]? Mais cedo e mais tarde, o Brasil vai precisar de resposta para essas perguntas'", questionou Renata.

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