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Argentina quer fechar acordo com FMI antes de abril

Jorgelina do Rosario

06/08/2020 08h07

(Bloomberg) -- A Argentina pretende chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional sobre um novo programa de financiamento até o fim de março, segundo uma pessoa com conhecimento direto do assunto.

O governo, que fechou um acordo inicial para a dívida de US$ 65 bilhões com credores privados na terça-feira, planeja iniciar negociações formais com o Fundo após 4 de setembro, data em que será selado o acordo com os detentores de títulos, disse a pessoa, que não quis ser identificada.

A meta do país é ter um novo programa antes do fim do primeiro trimestre de 2021. Assim, a Argentina teria tempo suficiente para renegociar em maio US$ 2 bilhões em pagamentos devidos ao Clube de Paris, um grupo informal de 22 bancos, segundo a pessoa.

Com a renegociação da dívida privada quase completa, o presidente Alberto Fernández volta sua atenção para o FMI. O país pretende reprogramar mais de US$ 44 bilhões em pagamentos com seu principal credor e substituir a linha de crédito stand-by negociada pelo governo anterior em 2018. A Argentina pode solicitar formalmente o início das negociações já neste mês, disse a fonte. Ainda assim, autoridades do governo disseram publicamente que não têm pressa.

"Não há pressa para iniciar as negociações com o FMI", disse o chefe de gabinete da Argentina, Santiago Cafiero, em entrevista à TV Pública na quarta-feira. O Fundo "tem sido franco em sua compreensão dos limites socioeconômicos da Argentina, esperamos que isso continue."

Um porta-voz do Ministério da Economia não quis comentar. O FMI está pronto para apoiar a Argentina, inclusive negociando um novo programa com autoridades quando desejarem, mas, neste momento, nenhum pedido foi feito, disse um porta-voz do Fundo.

Um dos princípios do Clube de Paris é negociar seus empréstimos apenas com países que possuam uma linha de crédito atual com o FMI, de acordo com informações do site do grupo. A Argentina deveria fazer o pagamento de US$ 2 bilhões em capital e juros em maio, mas pediu adiamento por um ano.

Os pagamentos do principal da dívida ao Fundo só começam a partir do terceiro trimestre de 2021. Resta ver se a Argentina vai tentar rolar a dívida existente em uma nova versão do mesmo acordo stand-by ou em um programa mais de longo prazo que exija mais reformas, conhecido como mecanismo de financiamento ampliado.

©2020 Bloomberg L.P.

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