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Argentina: Justiça processa ex-altos funcionários de inteligência por espionar Kirchner

A ex-presidente e atual vice da Argentina, Cristina Kirchner - Getty Images
A ex-presidente e atual vice da Argentina, Cristina Kirchner Imagem: Getty Images

05/08/2020 19h37

Buenos Aires, 5 Ago 2020 (AFP) — A Justiça argentina processou nesta quarta-feira (5) dois altos funcionários de inteligência, que atuaram durante o governo de Mauricio Macri (2015-2019), acusados de atividades de espionagem ilegal à ex-presidente (2007-2015) e atual vice-presidente Cristina Kirchner.

Trata-se do ex-diretor da AFI (Administração Federal de Inteligência), Gustavo de Arribas, e da ex-vice-diretora Silvia Majdalani, que foram processados por espionagem ilegal, abuso de autoridade e falsificação de documentos públicos. A AFI é proibida de executar tarefas de inteligência relacionadas à política ou segurança interna.

Cada um deles teve confiscada a quantia de dois milhões de pesos (US$ 26.700); os dois estão proibidos de deixar o país.

Em relação ao mesmo caso, aberto após uma denúncia da atual inspetora da AFI, Cristina Caamaño, o ex-diretor de contrainteligência Martín Coste já havia sido processado pelos mesmos crimes.

O juiz Juan Pablo Auge investiga as supostas atividades de espionagem ilegal, realizadas em 2018 sobre Kirchner e o Instituto Patria, o centro de estudos e atividades políticas do vice-presidente de centro-esquerda localizado a cerca de 300 metros do Congresso.

Esse caso é um dos vários processos judiciais abertos por espionagem ilegal durante o governo Macri, que incluiu jornalistas, sindicatos, líderes sociais e políticos, incluindo aliados do ex-presidente.

Macri foi processado por espionagem ilegal quando era prefeito de Buenos Aires (2007-2015), mas foi liberado do caso duas semanas depois de assumir a presidência, em dezembro de 2015.

As defesas de Arribas e Majdalani negaram a acusação feita pelo juiz, e justificaram as ações dos espiões como necessidade de proteger o ex-presidente por supostas ameaças antes da realização da cúpula do G20, embora não tenha sido notificada.

Segundo o juiz, pode-se provar no caso que em 2018 Arribas e Majdalani "deram ordens" a Alan Ruiz, ex-diretor de Operações Especiais, que também é processado, para coordenar "um grupo composto por agentes orgânicos e inorgânicos da área de contrainteligência, que se envolveram em tarefas de inteligência e espionagem ilegal".

O juiz ressaltou que os réus "tentaram dar aparência legal às atividades proibidas e, para tal, elaboraram, rubricaram e usaram documentos ideologicamente falsos simulando" que estavam cumprindo ordens judiciais.

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