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Resultados das presidenciais geram incertezas na Polônia

12/07/2020 21h11

Varsóvia, 13 Jul 2020 (AFP) - Os resultados do segundo turno das eleições presidenciais polonesas pendem de um fio, com o presidente conservador polonês, Andrzej Duda, e seu adversário pró-europeu, Rafal Trzaskowski, ombro a ombro, segundo uma pesquisa de opinião.

Duda teve 50,8% dos votos, à frente de Trzaskowski, com 49,2%, segundo uma pesquisa do Instituto Ipsos, em eleições que tiveram uma taxa de participação muito alta para o país: 68,9%.

Uma pesquisa de boca-de-urna, divulgada mais cedo, indicava uma diferença menor, de 50,4% para Duda e 49,6% para Trzaskowski.

No primeiro turno, em 28 de junho, Duda recebeu 43,5% dos votos e Trzaskowski 30,4%.

"Estou contente com a minha vitória, embora por enquanto seja apenas uma pesquisa", disse o presidente aos jornalistas ao lado de sua esposa e de sua filha, enquanto agitava uma bandeira polonesa.

Já Trzaskowski disse a seus simpatizantes que "o resultado provavelmente nunca foi sido tão apertado na história da Polônia".

"Nunca sentimos tanto o poder do nosso voto", acrescentou.

O resultado será decisivo para o futuro do governo conservador nacionalista do partido Direito e Justiça (PiS), acusado pelos adversários de reduzir as liberdades democráticas conquistadas há três décadas, após a queda do comunismo.

Trzaskowski, prefeito de Varsóvia, pertence ao principal partido de oposição centrista, o Plataforma Cívica (PO).

A eleição aconteceria em maio, quando Duda era o líder nas pesquisas, mas teve que ser adiada pela pandemia de coronavírus.

O apoio a Duda caiu consideravelmente desde então, também pelas consequências da pandemia, que levaram a Polônia a sua primeira recessão desde a queda do regime comunista.

Analistas apontam que o resultado do 2º turno pode ser apertado e gerar recursos nos tribunais.

A consultoria Eurasia Group destacou que Trzaskowski teve que mobilizar diferentes tipos de eleitores contra Duda, mas acredita que a vitória provavelmente será do atual presidente, por pequena margem.

Após votar, Wojciech, um operário da construção civil de 59 anos, disse ter votado em Duda por seus vínculos estreitos com o presidente americano, Donald Trump, "o que significa que contaremos com os Estados Unidos para nos defender" e "porque estou de acordo" com a proibição da adoção a casais do mesmo sexo.

Outros votaram em Trzaskowski esperando melhorar as relações com a União Europeia.

"É importante para nós ter uma boa cooperação com nossos parceiros europeus", disse a aposentada Danuta Lutecka, que disse esperar que uma troca de presidente gere "menos ódio e divisões" entre os poloneses.

Longas filas se formaram em frente a dois centros de votação, com respeito ao distanciamento social por causa do novo coronavírus.

- Chave para o futuro da Polônia -O presidente Duda, que prometeu defender as ajudas sociais adotadas pelo PiS, fez uma campanha polêmica, atacando os direitos das pessoas LGTB e com a rejeição da ideia de indenizar os judeus pelos bens espoliados pelos nazistas e durante o regime comunista.

"Estas eleições são um confronto de duas visões da Polônia, entre branco e vermelho e arco-íris", disse o ministro da Justiça, Zbigniew Ziobro, em referência à bandeira nacional e o símbolo da comunidade LGTB.

O governo e os meios de comunicação públicos, que fazem campanha para Duda, atacaram um tabloide que pertence ao grupo alemão Ringier Axel Springer que criticou o presidente por indultar um pedófilo.

Trzaskowski se declarou favorável às uniões civis, inclusive entre pessoas do mesmo sexo.

Caso vença, Trzaskowski prometeu anular as polêmicas reformas do sistema judicial, que levaram a Polônia a enfrentar o restante da União Europeia.

A vitória de Trzaskowski poderia marcar o começo do fim da influência do PiS na política polonesa. Caso contrário, a vitória de Duda reforçaria o poder do partido.

"Estas eleições vão determinar o futuro da Polônia", disse Adam Strzembosz, ex-presidente do Tribunal Supremo e respeitado professor de direito.

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