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Covid-19: Especialista da Fiocruz crê que platô durará mais semanas no país

Testes de coronavírus em frente à bandeira do Brasil - Mehmet Emin Menguarslan / Anadolu Agency
Testes de coronavírus em frente à bandeira do Brasil Imagem: Mehmet Emin Menguarslan / Anadolu Agency
do UOL

Do UOL, em São Paulo

11/07/2020 19h12

O alto "platô" de casos e mortes diários do novo coronavírus ainda deve durar mais algumas semanas no Brasil antes de iniciar um processo de declínio. Esta é a previsão que faz Christovam Barcellos, sanitarista do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"O vírus está se espalhando, e se espalha com a circulação das pessoas entre cidades. A gente prevê que esse platô se mantenha durante algumas semanas ainda. Isso significa que as mesmas cidades onde a incidência diminuiu têm de tomar muito cuidado com o isolamento. O vírus continua circulando nessas cidades e pode até retornar a elevação da transmissão, aumento do número de internados e até aumento do número de mortes", alertou o especialista em entrevista à GloboNews.

"O que nós vemos no Brasil, infelizmente, é a formação desse platô de cerca de 1.000 ou 1.200 óbitos por dia, com um número de casos cada vez mais crescente. O vírus está em alta circulação ainda na população brasileira. Claro, cada estado apresenta um estágio diferente da doença: a Amazônia, em geral, ou tem estabilização ou ligeira queda, mas há uma aceleração muito grande da pandemia no Sul, na região Centro-Oeste e em Minas Gerais", acrescentou.

Christovam Barcellos demonstrou grande preocupação com o crescimento da transmissão da covid-19 fora dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas — os primeiros a apresentarem altos números da doença causada pelo novo coronavírus. "É bastante preocupante. A gente enxerga o processo de interiorização funcionando", disse ele.

O especialista acredita que as esferas do governo brasileiro deveriam se espelhar na postura adotada pelos países europeus, que estão em processo cauteloso de reabertura e temem novas "ondas" da doença.

"Nos países do Oriente, a subida e a descida foram muito rápidas. Na Europa, em março e abril houve uma subida muito rápida e depois um descenso lento. A gente tem de olhar que as curvas da Europa apresentam declínio, sim, mas muito lento. Eles estão tomando todos os cuidados para manter essa tendência de queda. Ninguém na Europa está pensando em volta à normalidade", afirmou.

"[Os europeus] Estão tendo cuidado com a discussão da volta às aulas, da volta do comércio, da circulação nas ruas, do transporte... A gente tem que se pautar um pouco com esses exemplos de outros países que estão no estágio mais avançado da doença. Dentre os poucos países em que se formou esse platô, estão Brasil e Estados Unidos. Isso é muito preocupante porque são países grandes e com desigualdade social enorme", completou Christovam.

O Brasil registrou hoje mais 1.071 mortes provocadas pelo novo coronavírus, de acordo com último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. Além dos novos óbitos registrados nas últimas 24 horas, que elevaram o total a 71.469, o país também confirmou mais 39.023 novos casos da doença.

O total de infectados no país chegou a 1.839.850. O número de mortes informado pelo Ministério da Saúde quebrou uma sequência de quatro dias consecutivos com mais de 1.200 vítimas fatais contabilizadas pela pasta.

Como já foi registrado em outros momentos da pandemia da covid-19, os fins de semana costumam apresentar subnotificação de novos casos e óbitos.

Veículos se unem em prol da informação

Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro (sem partido) de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de covid-19, os veículos de comunicação UOL, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, G1 e Extra formaram um consórcio para trabalhar de forma colaborativa e assim buscar as informações necessárias diretamente nas secretarias estaduais de Saúde das 27 unidades da Federação.

O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria ser a fonte natural desses números, mas atitudes recentes de autoridades e do próprio presidente colocam em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão.

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