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EUA registra recorde de vagas em junho e desemprego cai para 11,1%

02/07/2020 13h25

Washington, 2 Jul 2020 (AFP) - A economia americana criou um número recorde de 4,8 milhões de postos de trabalho em junho, e a taxa de desemprego registrou queda de mais de dois pontos, 11,1%, à medida que muitos estabelecimentos comerciais reabrem as portas - apontam dados publicados pelo Departamento do Trabalho nesta quinta-feira (2).

A taxa de desemprego confirmou um segundo mês de baixa, superando as expectativas dos analistas. Este relatório inclui apenas números da primeira quinzena do mês.

Assim como o conjunto da economia, este indicador também depende do controle da pandemia, que nos Estados Unidos provocou mais de 128.000 mortes.

O confinamento para tentar conter o avanço do vírus fez a taxa de desemprego subir de 3,5%, em fevereiro, para 14,7%, em abril. Em maio, havia caído para 13,3%.

"Esta melhora no mercado de trabalho reflete a contínua recuperação da atividade, que caiu em março e em abril, devido à pandemia da COVID-19 e aos esforços para contê-la", afirmou o Departamento do Trabalho em um comunicado.

Ansioso por uma rápida recuperação da economia em sua busca pela reeleição em novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não perdeu tempo e celebrou os números.

"O anúncio de hoje mostra que nossa economia está voltando a rugir", afirmou Trump, destacando que algumas áreas do país ainda estão apagando "as chamas" provocadas pelo coronavírus.

"A crise está sendo administrada", sentenciou Trump.

Wall Street também comemorou os dados, com uma alta de 1,4% no Dow Jones e no S&P na abertura.

- Risco de uma ressaca -Outro informe divulgado hoje mostra que o número de demissões foi de 1,43 milhão, de acordo com os dados semanais dos novos pedidos de seguro-desemprego. Nas últimas quatro semanas, as demissões ficaram em torno de 1,5 milhão.

"Estes pedidos (de seguro-desemprego) não são um acréscimo. Indicam até que ponto as empresas e o governo continuam demitindo funcionários", explicou o economista Joel Naroff.

O especialista Gregory Daco, da Oxford Economics, advertiu que os números de junho têm todas as características de um "coquetel de verão", incluindo o risco de uma ressaca.

"Para além da aparência, o mercado de trabalho ainda enfrenta uma perda líquida de 14,7 milhões de empregos, devido à recessão global pelo coronavírus", acrescentou o analista.

As recontratações foram estimuladas por um imenso pacote de resgate aprovado pelo Congresso no final de março.

Os Estados Unidos registram, no entanto, um nível de 50.000 novos casos diários de coronavírus, com um aumento em estados populosos do sul e do oeste do país. Esse quadro reforça temores de novos fechamentos em determinados setores da economia e novas demissões.

O líder da minoria democrata do Senado, Chuck Schumer, advertiu que o informe de hoje "pode ser uma pequena colina em um vale muito mais extenso".

Para o especialista Ian Shepherdson, da Pantheon Macroeconomics, "a recuperação plena ainda está longe". Ele também manifestou sua preocupação com o risco de uma recaída temporária, frente a uma segunda onda da COVID-19.

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