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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta quinta-feira (02)

Agente de saúde realiza testa para Covid-19 em motorista de táxi no Rio - Ricardo Moraes
Agente de saúde realiza testa para Covid-19 em motorista de táxi no Rio Imagem: Ricardo Moraes
do UOL

Do UOL, em São Paulo*

02/07/2020 12h25Atualizada em 02/07/2020 21h04

O Brasil ultrapassou hoje a marca de 1,5 milhão de casos de coronavírus. O dado foi revelado por levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte. Foram 47.984 novos registros nas últimas 24 horas, elevando o total para 1.501.353 infectados.

O número de novas mortes registradas de ontem para hoje, segundo o consórcio de imprensa, foi de 1.277 óbitos. Agora, são 61.990 vítimas fatais da covid-19 no país.

Já os dados do Ministério da Saúde indicaram mais casos nas últimas 24 horas (48.105), mas um número menor no acumulado da pandemia, sendo 1.496.858 diagnósticos. O governo federal confirmou 1.252 novas mortes, com acumulado de 61.884.

Estados Unidos registram novo recorde

De acordo com a contagem de ontem feita pela Universidade Johns Hopkins, os Estados Unidos registraram um novo recorde de casos registrados em 24 horas. Foram computados 52.898 novos casos no período e, segundo a instituição de Baltimore, o total de diagnósticos positivos da covid-19 no país era de 2.682.270 até as 21h30 de Brasília de ontem.

O total de novas infecções divulgado ontem supera as 42.528 anunciadas pela universidade na segunda-feira, estabelecendo assim um novo recorde diário de contágios.

Além disso, nas últimas 24 horas ocorreram 706 falecimentos, elevando o número de mortes no país devido ao vírus a 128.028.

Ainda ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que acredita que o coronavírus vai "desaparecer" um dia. "Eu acredito [que vai desaparecer]. Claro, em algum ponto. E acho que teremos uma vacina logo", comentou.

A declaração repete uma fala de fevereiro, quando Trump que o vírus iria embora à medida que o clima esquentasse. Ele também tinha falado, no mesmo mês, que o vírus estava sob controle no país.

A nova onda de infecções levou vários estados, como Califórnia, Oregon, Michigan e Pensilvânia, a interromper a flexibilização das medidas de combate à doença.

Doença avança para o interior de São Paulo

Ao mesmo tempo em que o governador de São Paulo João Doria (PSDB) ter afirmado ontem que está prestes a atingir um platô da pandemia, a covid-19 segue avançando para as cidades do interior.

A doença chegou a 621 dos 645 municípios paulistas. Das 24 cidades que ainda não tiveram casos positivos, 19 estão da metade do mapa para trás, a maioria no extremo oeste.

De acordo com o pesquisador Raul Borges Guimarães, especialista em geografia da saúde da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o novo coronavírus segue o fluxo previsto pela pesquisa científica desde o início da pandemia. A partir do surgimento dos primeiros casos na capital, o vírus se expandiu para o interior, atingindo primeiro as cidades maiores mais próximas, migrando depois para as mais distantes e as menores, por meio das grandes rotas rodoviárias. "Os municípios que sobraram são tipicamente rurais", disse.

O que equilibra a situação são os bons números apresentados pelo estado, puxado essencialmente pela capital, Região Metropolitana de São Paulo e Baixada Santista. Nos últimos sete dias, a média de mortes diminuiu 12,5%, segundo dados divulgados pelo governo estadual.

A média dos últimos sete dias também é otimista no quesito internações. O estado verificou queda de 1,8% em pessoas que entraram no sistema hospitalar.

A expectativa do Centro de Contingência ao Coronavírus é de que o interior deve colher frutos do isolamento social que está praticando no momento.

Na capital, a situação segue mais complicada para os mais pobres. Uma pesquisa financiada pelo Instituto Semeia, Grupo Fleury, Ibope Inteligência e Todos pela Saúde mostra que o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no município de São Paulo é duas vezes e meia maior nos bairros mais pobres da cidade em comparação com os mais ricos.

Um outro estudo, dessa vez feito pela USP (Universidade de São Paulo) e pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), apontou que a população negra é infectada 2,5 vezes mais pelo coronavírus do que a de brancos na cidade de São Paulo.

Amostras de sangue colhidas entre os dias 15 e 24 de junho indicam que 19,7% dos participantes que se identificam como negros possuem anticorpos contra a covid-19, enquanto que nos que se declaram brancos o porcentual é de 7,9%.

Avanços na vacina do Instituto Butantan

O governador João Doria anunciou ontem que já foram definidos os 12 centros de pesquisas nos quais será desenvolvida a vacina do Instituto Butantan, feita em parceria com a empresa chinesa Sinovac.

Os testes serão realizados com 9 mil voluntários e acontecerão em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. O acordo com a empresa chinesa prevê que o Brasil receba 60 milhões de doses caso a imunização comprove eficácia.

O infectologista Gustavo Romero, professor do núcleo de Medicina Tropical da UnB (Universidade de Brasília) — um dos centros anunciados por Doria — disse que a vacina apresentou resultados promissores em seu desenvolvimento.

"O que posso informar agora é que se trata de um produto vacinal, que se aplica em duas doses, com intervalo de 14 dias. Ela produziu resultados promissores na fase 2, que se chama de desenvolvimento. No caso, essa vacina tem o efeito de produzir anticorpos capazes de neutralizar o vírus", afirmou.

Retransmissão sobe em 7 estados

O mês de junho terminou com seis estados registrando uma maior taxa de retransmissão do novo coronavírus do que terminaram maio. Os números fazem parte dos dados produzidos pelo projeto Covid-19 Analytics, feito em parceria pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e a FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Os seis estados que tiveram alta de taxa entre 31 de maio e 30 de junho foram: Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A maior taxa do país, segundo o cálculo, é 1,92 em Roraima.

Ao todo, seis estados estão com taxa inferior a um: Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão e Pará. Na Paraíba, o mês de junho fechou com taxa igual a um.

"Em Minas, por exemplo, observamos uma taxa de contaminação de 1,6 e estimamos um aumento de 80% no número de casos acumulados para os próximos 14 dias. Já em Mato Grosso, outro estado que ainda apresenta números preocupantes, a taxa de contaminação está em 1,5 e a projeção é que o número total de casos pode dobrar em 14 dias", afirmou Gabriel Vasconcelos, pesquisador da Universidade da Califórnia e do Núcleo de Análise Estatística de Dados da PUC-Rio.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) se emocionou em um pronunciamento ao alertar a população gaúcha para os próximos 15 dias. Ele ressaltou que, com a chegada do frio, o sistema de saúde do estado tende a ficar mais pressionado.

"Os próximos 15 dias vão ser cruciais", afirmou.

De acordo com o último levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde, o Rio Grande do Sul registra 636 mortes oficiais e 28.171 casos de covid-19.

Já em Belém, o prefeito Zenaldo Coutinho anunciou o resultado de um testagem em massa feita com 40 mil trabalhadores de centros comerciais importantes da cidade. Os testes revelaram 40% de contaminação, o que pode garantir a imunização dessas pessoas.

Os dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde mostram que o estado do Pará já registrou 105.853 casos da covid-19 e atingiu a marca de 4.960 óbitos.

A situação do Distrito Federal virou motivo de questionamento judicial. A juíza Raquel Soares Chiarelli, da 21ª Vara do Distrito Federal, deu 72 horas para mostrar que há equipamentos, leitos, insumos e recursos humanos suficientes para o atendimento de pacientes da covid-19.

A medida ocorre após o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), afirmar ao Estadão que até o começo de agosto deseja retomar atividades "sem restrição".

A juíza aponta que é "notório" o agravamento da doença no DF e a falta de medicamentos para intubação. Além disso, diz que há inconsistências em dados oficiais sobre a "real situação de operações das UTIs" na capital.

Segundo boletim de ontem, do Ministério da Saúde, o DF tem 49.218 casos acumulados da covid-19 e 587 mortos.

Protocolo de volta às aulas

O Ministério da Educação (MEC) publicou hoje uma portaria no Diário Oficial da União que define um protocolo de biossegurança para a retomada gradual das aulas nas instituições do sistema federal de ensino, como medida de prevenção à disseminação do novo coronavírus.

O texto não prevê uma data para a volta às aulas e diz que o cronograma de retorno das atividades deve ser orientado pelo governo local e pelas autoridades sanitárias.

O protocolo traz orientações sobre medidas de prevenção individual e coletiva, como aferição de temperatura, limpeza e ventilação de ambientes, uso de máscara, disponibilização de álcool gel 70% e respeito às regras de etiqueta respiratória e de distanciamento social. Também deve ser feito o escalonamento do acesso de estudantes a refeitórios e praças de alimentação.

*Com informações das agências AFP e Agência Brasil

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