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Ex-premiê francês é julgado por emprego fantasma de mulher e pode pegar até 10 anos de prisão

24/02/2020 08h24

Começa nesta segunda-feira (24) o processo sobre o escândalo de emprego fantasma que derrubou François Fillon, o ex-candidato da direita conservadora francesa nas últimas eleições presidenciais. Ele empregou durante anos a mulher, Penelope, como assessora parlamentar. O tema é analisado por todos os jornais franceses.

Começa nesta segunda-feira (24) o processo sobre o escândalo de emprego fantasma que derrubou François Fillon, o ex-candidato da direita conservadora francesa nas últimas eleições presidenciais. Ele empregou durante anos a mulher, Penelope, como assessora parlamentar. O tema é analisado por todos os jornais franceses.

Em sua manchete de capa, Le Parisien estampa que "Chegou a hora da verdade para os Fillon". O ex-primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy e sua mulher, Penelope, são julgados a partir desta segunda-feira e podem ser condenados a até dez anos de prisão e € 150 mil de multa, o equivalente a R$ 700 mil. François Fillon é acusado, juntamente com seu ex-suplente na Assembleia francesa, o ex-deputado Marc Joulaud, de desvio de dinheiro público e abuso de confiança. Penelope Fillon, é acusada de cumplicidade.

O escândalo foi revelado pelo jornal satírico Le Carnard Enchainé em janeiro de 2017, em plena campanha presidencial, e teve o efeito de uma bomba de fragmentação, cuja última detonação acontece agora, escreve o diário.

O sonho que virou pesadelo

Fillon, candidato do partido Os Republicanos, era o líder das pesquisas e tinha tudo para se tornar o presidente da França. Em três dias sua campanha virou um pesadelo, após a revelação de que ele teria empregado a mulher como assistente parlamentar durante anos, sem ela nunca ter trabalhado. Durante o tempo em que ocupou o cargo de primeiro-ministro e o suplente Joulaud assumiu a vaga no Parlamento, Penelope continuou recebendo o salário. A suposta assessora parlamentar nem crachá tinha para entrar na Assembleia Nacional francesa.

Ao todo, entre 1998 e 2013, a mulher de Fillon, que foi primeiro-ministro na presidência de Sarkozy entre 2007 e 2012, teria recebido indevidamente mais de um € 1 milhão calculam os investigadores. Graças aos contatos do marido, Penelope foi ainda contratada por uma revista, a "Revue des Deux Mondes" (Revista dos Dois Mundos). Durante dois anos recebeu o salario de € 5 mil mensais, quase sem trabalhar. O ex-candidato conservador à eleição presidencial de 2017 também teria fornecido empregos fantasmas a seus filhos. Em seu editorial, Le Parisien diz que François Fillon desistiu da política, mas vai tentar neste processo "lavar sua honra".

"O louco caso Fillon", resume Les Echos, que detalha ainda que o ex-primeiro-ministro pode ser ainda condenado a penas de inelegibilidade. Os três acusados contestam as acusações, informa Le Figaro.

"Golpe de estado constitucional"

O julgamento, previsto para durar até 11 de março, deve começar com atraso, revela Libération. Os advogados da defesa do casal Fillon, em solidariedade com os colegas em greve contra a reforma da Previdência, vão pedir o adiamento simbólico do primeiro dia de audiência e têm boas chances de obter o diferimento.

O processo só deve começar na quarta-feira (26), adianta o jornal progressista. Em sua defesa, o casal vai se mostrar "ofensivo, denunciando um 'golpe de estado constitucional' e um não respeito da separação entre os poderes", aponta Libération. Essa denúncia visa a rapidez excepcional da justiça penal em abrir na época o inquérito que acabou com a popularidade de Fillon e levou à sua derrota no primeiro turno da presidencial. Para o ex-candidato, essa rapidez foi uma decisão política do governo socialista que dirigia o país e estava em queda livre nas sondagens.

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